Internacional

Mediterrâneo. Navio humanitário Aquarius 2 ficou sem a bandeira do Panamá

A Autoridade Portuária do Panamá disse que tomou a decisão por pressão do governo italiano

O último navio humanitário a navegar no Mediterrâneo para resgatar refugiados e migrantes viu a sua bandeira do Panamá revogada. O Aquarius 2 ver-se-á impossibilitado de navegar até se registar com uma nova bandeira quando voltar a atracar num porto italiano. 

As instituições responsáveis pelo Aquarius, Médicos Sem Fronteiras e SOS Mediterrâneo, revelaram este domingo que a Autoridade Portuária do Panamá decidiu retirar-lhes a possibilidade de o Aquarius navegar com a bandeira do país. A autoridade explicou, numa carta aos operadores do navio, que foi pressionada a tomar “medidas imediatas” contra o navio por pressão do governo italiano. “Infelizmente, é necessário que [o Aquarius] seja excluído dos nossos registos por implicar um problema político contra o governo panamiano e a frota do país que chega aos portos europeus”, pode ler-se no documento. 

Por sua vez, o ministro do Interior italiano e líder da Liga, Matteo Salvini, garantiu, através do Twitter, que nada fez e que nem sequer tem o “prefixo do Panamá”. 

Agora, as duas organizações estão a apelar aos governos europeus para apelarem à Autoridade Portuária do Panamá que reconsidere a decisão tomada ou que tomem as medidas necessárias para que uma nova bandeira seja emitida para o navio. 

Não é a primeira vez que o Aquarius vê a bandeira pela qual navegava ser-lhe retirada. Em julho, foi obrigado a passar não menos que 19 dias num porto francês por a bandeira de Gibraltar lhe ter sido retirada. Conseguiu voltar a navegar depois de o Panamá lhe ter concedido a sua bandeira. 

O governo italiano, principalmente Salvini, tem criticado por inúmeras vezes as operações dos navios humanitários de ONGs que operam no Mediterrâneo, apelidando-os “serviço de táxi” para os imigrantes e refugiados que tentam chegar à Europa através da Líbia. 

O Aquarius tornou-se conhecido depois de lhe ter sido proibido atracar nos portos italianos e malteses, com o governo espanhol a aceitar acolher os refugiados e migrantes que tinha salvo em alto mar.