Cultura

Colecionador quer retirar centenas de obras de Serralves

Depois da polémica, estão em causa , para além da Coleção de Desenhos da Madeira, as obras de Damian Ortega, Julião Sarmento e Gabriel Orozco, entre outras

Luiz Teixeira de Freitas tem centenas de obras de arte no museu de Serralves. No entanto, depois da polémica com a exposição de Robert Mapplethorpe, o colecionador insistiu desde o dia 25 de setembro em retirar as suas obras do museu por “não concordar com a política de intervenção da administração nas escolhas curatoriais do Diretor Artístico da instituição, João Ribas”.

“Na semana passada, mais precisamente no dia 25 de Setembro, enviei 'e-mail' à Administração de Serralves dando conta da minha intenção de terminar o contrato de depósito de obras da minha coleção particular do artista Damian Ortega, que tenho com aquela instituição", disse Luiz Teixeira de Freitas à Lusa. O mesmo acrescenta que também já enviou uma carta ao museu, mas não obteve resposta.

O colecionador de arte afirmou ainda que tomou “esta decisão por não concordar com a política de intervenção da administração nas escolhas curatoriais do Diretor Artístico da instituição, João Ribas, em especial a recente situação de censura criada pela Administração de Serralves no caso da exposição de Robert Mapplethorpe, caso este que foi amplamente divulgado pela imprensa nacional e internacional".

Luiz Teixeira de Freitas detém centenas de obras no museu de Serralves, entre elas o conjunto de 600 desenhos que constituem Coleção de Desenhos da Madeira, assim como obras de Damian Ortega, Julião Sarmento, Gabriel Orozco, Mateo Lopez e Guilhermo Kuitca.

"As obras foram depositadas em momentos diferentes no Museu, mas diria que o depósito existe há quase oito anos", sublinha Teixeira de Freitas.

Ao jornal Público, a filha do colecionador - Luiza Teixeira de Freitas – explica que a decisão do pai é um ato de “solidariedade com João Ribas".

Recorde-se que João Ribas se demitiu do seu cargo de diretor artístico do Museu de Arte Contemporânea de Serralves no dia 20 de setembro, justificando que “já não tinha condições para continuar à frente da instituição”. Em causa, está a interdição da entrada de menores de 18 anos na exposição dedicada ao fotógrafo norte-americano Robert Mapplethorpe.