Economia

O que é feito da reputação da Tesla?

As ações voltaram a disparar e os investidores aplaudiram quando se ficou a saber que Musk continuaria CEO da empresa. Já os analistas avisaram: O mal está feito.

A Tesla chegou ao topo no que respeita à forma como os consumidores olham para as empresas em termos de prestígio e confiança. Mas o caminho de ascensão parece estar agora repleto de maus momentos. Ainda que a empresa tenha conseguido bater o recorde de veículos produzidos no terceiro trimestre deste ano, somam-se notícias que provam que a empresa já viveu dias melhores.

Se fizermos uma análise dos dados deste ano, percebemos que a Tesla conseguiu produzir, em apenas três meses, mais de 80 mil unidades. A isto somou-se uma outra conquista :a empresa teve sucesso e quer continuar a expandir as entregas diretas em casa ou escritório, um serviço que foi lançado no terceiro trimestre para melhorar a conveniência do cliente.

No entanto, os últimos tempos têm ficado também marcados por notícias que começaram a preocupar os investidores e que chegaram a fazer com que a empresa perdesse milhões. Um destes episódios aconteceu depois de Elon Musk ter sido acusado de fraude bolsista.

Estávamos ainda em setembro quando se ficou a saber que Musk deixaria de ser chairman da Tesla. Esta seria uma das condições do acordo feito com a SEC, a entidade que regula o mercado de capitais nos EUA. Em causa estava a tentativa de resolver as acusações de fraude relacionadas com o tweet em que o gestor anunciou a retirada da empresa de bolsa. «Estou a considerar tornar a Tesla privada a 420 dólares por ação. Financiamento assegurado», escreveu.

Neste acordo, acabou por ficar ainda estipulado que Musk e a Tesla teriam de pagar cerca de 20 milhões de dólares, cada um, aos reguladores. A isto somou-se ainda a necessidade de serem nomeados dois novos diretores independentes, assim como implementar controlos para monitorizar todas as comunicações do CEO.

Na base da penalização está o facto de o regulador considerar que Musk enganou os investidores. Os tweets além de não terem fundamento, acabaram por prejudicar os investidores.

Jay Clayton, presidente da SEC, reitera mesmo que «a pronta resolução deste assunto nos termos acordados é do melhor interesse dos nossos mercados e dos nossos investidores, incluindo os acionistas da Tesla».

No entanto, mesmo que a solução seja a melhor para as partes envolvidas, a verdade é que as acusações fizeram com que a marca perdesse. Em apenas um dia, as ações da empresa chegaram a descer 13,90% para 264,77 dólares, o que acabou por reduzir o valor de mercado para 45,2 mil milhões, abaixo dos 47,5 mil milhões da General Motors.

Ainda que não tenha sido negado, nem confirmado o conteúdo do acordo, outubro começou com um aplauso dos investidores. Quando se soube que o fundador e cérebro da Tesla continuaria como CEO, as ações dispararam e pode mesmo dizer-se que subiram mais de 16% na negociação que acontece antes do horário regulamentado. Claro que a ajudar esteve também o facto de a Bloomberg ter divulgado que, de acordo com Musk, teria enviado um e-mail aos trabalhadores a garantir que a empresa nunca tinha estado tão próxima dos lucros.

No entanto, nem todos ficaram tão satisfeitos como os investidores que aplaudiram a permanência de Musk. Apesar da recuperação do preço, vários analistas garantiram, desde logo, que o estrago reputacional estava feito. Até porque aos problemas com a reputação somam-se ainda a investigação do Departamento da Justiça e as posições a descoberto. Até porque a empresa é um dos alvos preferidos dos especuladores.

Recorde-se que a empresa enfrenta uma investigação criminal devido ao tweet de Elon Musk, que garantia ter assegurado financiamento para retirar a empresa de bolsa.

A Bloomberg garante mesmo que o Departamento da Justiça está a levar a cabo a investigação criminal em conjunto com uma investigação de fraude bolsista. Até porque ao tweet inicial, Musk acabou por somar um outro (a 13 de agosto), onde dizia o fundo de riqueza soberana da Arábia Saudita tinha interesse em financiar a empresa. Mais tarde, os planos de retirar a Tesla da bolsa foram para a prateleira e ficou a saber-se que esse mesmo fundo tinha decidido investir mil milhões de dólares na rival da Tesla, a Lucid Motor.

Os problemas que começaram a afetar a Tesla levaram mesmo o antigo vice-presidente da General Motors, Bob Lutz, a aconselhar os colecionadores de automóveis a adquirirem exemplares do Model S antes que a marca americana desapareça devido aos prejuízos constantes: «Quando se está permanentemente a ficar sem dinheiro então não se está a gerir uma boa empresa de automóveis».