Desporto

Pai de jogador agride jovens árbitros depois da expulsão do filho

Em declarações ao SOL, o ex-árbitro Duarte Gomes comentou o caso de violência desportiva que provocou um traumatismo craniano num dos árbitros e a perda parcial de audição no outro

Dois árbitros, de 17 e 21 anos, foram brutalmente agredidos, no último domingo, pelo pai de um jogador, durante uma partida de futsal, no Pavilhão Municipal da Senhora da Hora, Matosinhos. Depois de “quase duas dezenas de pessoas” enviarem informações sobre o caso, o ex-árbitro internacional de futebol e atual comentador desportivo Duarte Gomes decidiu partilhá-lo nas redes sociais, acabando o mesmo por se tornar viral. Ao SOL conta agora aquilo que considera ser “uma reflexão séria para todos”.

O árbitro da partida, Rúben Ferreira, de 17 anos, e o segundo árbitro, Sérgio ferreira, de 21 anos, terão sido agredidos depois de o primeiro ter expulsado um jogador da equipa da casa, o Grupo Desportivo Cultural e Recreativo Água Viva, que nesse dia enfrentava o Atlético Deportivo Polenenses. O agressor, pai do jogador expulso, não tardou em reagir.

“A verdade, indesmentível, é que o referido pai entrou no ringue, depois do filho ter sido expulso, agrediu o 2º árbitro com um soco no ouvido e, não satisfeito, foi depois ter com o 1º, voltando a esmurrá-lo”, começou por contar ao SOL Duarte Gomes, acerca das agressões aos dois jovens árbitros de futsal da AF Porto, num jogo de iniciados.

Ambos os jovens acabaram por ter de ser transportados de ambulância para o Hospital Pedro Hispano e, posteriormente, transferidos para o Hospital de São João. Rúben Ferreira foi diagnosticado com um traumatismo craniano, enquanto Sérgio Ferreira ficou com um tímpano perfurado e perdeu 70% da audição.

“As lesões dos miúdos foram diagnosticadas no hospital. Mas essas resolvem-se, saram. As piores são: o pavor de voltar a ser agredido, o medo de regressar aos jogos, a ansiedade pós-trauma, o choro convulsivo. Essa só os pais de ambos estão agora a tentar resolver. Quanto a motivações, haverá mesmo alguma motivação que legitime o crime que é o da ofensa corporal ostensiva, consciente e neste caso, em dose dupla? Haverá penálti, vermelho ou qualquer outra má decisão que o justifique?”, declarou o ex-árbitro.

Nestes escalões da AFP não existem policiamento, tendo a PSP acorrido ao local da ocorrência posteriormente.

“O dito pai foi-se embora antes de a policia chegar, mas deixou cair o Cartão de Cidadão. Foi por aí que o identificaram”, contou.

Para Duarte Gomes, este é um caso que retrata uma sociedade que “não tem cultura desportiva” e que o agressor “é apenas um entre tantos que acham que podem tudo e nada acontece. Para eles, sensação de bater, insultar, ameaçar, invadir recintos desportivos e afins é coisa de ‘macho’, de homem de barba rija. Fica bem, é falado lá na aldeia durante a semana toda”.

“Desta vez as vítimas foram miúdos quase da idade dos que estavam a jogar, iniciados de 14, 15 anos, mas por vezes são árbitros mais velhos e também treinadores ou jogadores. Às vezes, a pancadaria é entre pais da equipa adversária ou, por incrível que pareça, da mesma. O problema é profundo, de base e para que se comece a resolve-lo é necessário o envolvimento de todas as partes que têm responsabilidades diretas não só neste jogo, como no desporto em geral e na sociedade”, defende.

O ex-árbitro, de 45 anos, garante que é preciso uma “reflexão séria de todos, que leve a um compromisso urgente”, porque até lá estamos todos à distância da próxima agressão”.