Opinião

Web Summit: quem são os parolos?

Este tipo de eventos é muito importante. E Medina e Costa fazem muito bem em baterem-se pela vinda deles para Portugal

Apresentado o OGE 2019, seguem-se as discussões sobre os seus méritos e deméritos, sempre com a política a predominar, a maior parte das vezes com pouca clarividência mas absolutas certezas.

Como também já contribuí para este ‘peditório’ com posições técnicas apenas fundamentadas em princípios de prudência, prefiro falar de boas notícias para a economia local, como seja a Web Summit.

Assim, outro dia, congratulei-me pela vinda da Web Summit para Portugal por um período alargado de 10 anos. Diversos textos publicados sobre esta matéria acharam que a ‘fortuna’ que Medina e Costa aceitaram pagar para trazer este evento para a cidade de Lisboa, cerca de 17 milhões de euros (entre contrapartidas financeiras diretas e indiretas), não era mais do que uma das muitas manifestações da ‘parolice’ nacional. Permito-me discordar destas sumidades e tentar defender o sucesso desta iniciativa governamental.

Tenho de regressar atrás e relembrar que era um evento irlandês, organizado em Dublin por um irlandês que, ousando criar um acontecimento internacional, teve um sucesso enorme a nível mundial. Quando Paulo Portas, no anterior Governo de Passos Coelho, se ‘cruzou’ com a sua existência – e sabendo de diversos problemas existentes na Irlanda –, nomeou uma equipa portuguesa, liderada por Leonardo Mathias, com o objetivo de a conseguir trazer a Portugal. Com concorrentes de peso, com credenciais internacionais como Berlim ou Amesterdão, ambas lideradas por altos responsáveis governamentais, esta equipa portuguesa, com inúmeras vicissitudes, conseguiu assegurar de Paddy Cosgrave a realização da Web Summit para o triénio 2016/18.

Este evento teve na altura um investimento de 1,3 milhões de euros, e as estimativas de receitas geradas rondariam os 175 milhões de euros anuais. Mesmo que os números não tivessem sido estes, a verdade é que o investimento teve óbvio retorno em termos nacionais. Em 2017, por exemplo, teve mais de 60 mil visitantes e cerca de 1.200 oradores, mais de 2.500 jornalistas, movimentando mais de 45 mil camas e, quanto mais não fosse, gerou IVA durante a semana do evento superior a 30 milhões de euros.

Aqueles que discordam têm todo o legítimo direito de discordar, mas se calhar juntar-se-iam ao lote dos que estão sempre prontos a criticar se o desfecho fosse contrário. O mesmo se passa agora sobre o período de 10 anos, a iniciar em 2019. Voltaram os concorrentes a ser Berlim e Amesterdão, a que se juntou Valência – que, ao que parece, oferecia 18 milhões de euros para organizar esta feira.

Foi de propósito que referi ‘feira’, porque na verdade aquilo que se associa a um acontecimento de start-up’s não é mais do que uma feira de exposições, como qualquer outra que se realiza em Portugal. Com uma diferença: tem uma visibilidade mundial. Claro que tem tecnologia, claro que tem start-up’s, mas tem muito mais do que isso: entre outros painéis, tem inovação, tem inteligência artificial, tem desporto, tem robótica e sobretudo tem o ‘Founders’ Event’, que traz a Portugal para se reunirem à porta fechada todos os líderes mundiais de grandes organizações, como Facebook, Zalando ou Google.

As sessões são inúmeras, e apenas haverá que ser criterioso na sua seleção para quem quiser visitar este evento de 2018, a partir de 5 novembro.

Por tudo isto me confunde muito a visão redutora de muitos que acham que os únicos eventos a apoiar são apenas os que trazem investimentos duradouros a Portugal – e estes, que movimentam e bem a economia real mas em que não é tangível o benefício futuro, não interessam de todo. Inclusive, são rotulados com epítetos infelizes, que realmente apenas definem quem os profere.

Para mim, interessa e muito a Portugal todo este tipo de eventos. E o facto de Medina e Costa terem pugnado por ele é algo que considero importante e benéfico para Lisboa e para o país.

P.S. 1 – Numa semana pautada pela substituição de 4 (quatro) ministros e respetivas equipas ministeriais, achei espantoso ouvir que Isabel Moreira, ao comentar a nomeação de Graça Fonseca para o cargo de ministra da Cultura, a única coisa de que se lembrou foi da sua orientação sexual! Não falou daquele que, para mim, é o único critério relevante para o lugar: a competência da nova ministra (que até me asseguram que tem, e muita)! Como diz o povo, ‘Deus nos livre dos nossos amigos, que dos inimigos tratamos nós!’.

P.S. 2 – Nas horas que se seguiram ao final do último Benfica-Porto, soube pelas notícias difundidas no dia seguinte que em dois locais de Portugal houve rixas sérias entre ‘adeptos’ destes clubes, alegadamente ‘amigos’, em que o antagonismo foi ao ponto de acontecerem duas mortes. Pergunto apenas: as declarações incendiárias e instigadoras de ódio das máquinas de propaganda destes clubes não são chamadas a tribunal, para os seus autores serem culpabilizados moralmente pelos incidentes? Ou são ab initio inocentes, porque aquilo são desabafos para aumentar o share televisivo?