Em nome da verdade

O novo (novel) ministro da Defesa

O recém-empossado ministro da Defesa Nacional tem tudo para ‘fazer obra’

Como diria Monsieur de La Palisse, uma escolha é uma escolha.

Uma escolha responsabiliza quem a faz, mas compromete quem a influencia e/ou aceita.

O novo (novel) ministro da Defesa Nacional é uma escolha do primeiro-ministro, mas através de fontes (que já se transformaram num autêntico ‘rio’…) do Palácio de Belém «foi muito bem aceite» pelo Presidente da República - que a terá saudado com fervor, ‘mandando-a’ enaltecer pelo ‘porta-voz autorizado’ na ‘homilia dominical’ na SIC.

As condições de sucesso, proferidas pelos responsáveis, estão pois, à partida, reunidas: grandes qualidades pessoais e profissionais, rigoroso, metódico e disciplinado.

O recém-empossado ministro da Defesa Nacional tem tudo para ‘fazer obra’.

Contudo, será necessário ‘acautelar’ circunstâncias que podem significar algumas ‘nuvens negras’.

Estaremos perante mais uma manobra do ‘lóbi de Bruxelas’, que tem grande expressão no Governo, mas assume ‘capital’ implantação na presidência da República (vide, entre outros, os ‘chefes’ das Casas Civil e Militar).

 É, rigorosamente, mais um ‘estrangeirado’ - pelo tempo de ausência de contacto com o ‘país real’ e com as realidades objetivas e recentes dos assuntos do ‘seu’ ministério; recordamos que nos últimos oito anos viveu continuamente no continente asiático e americano, logo muito longe das circunstâncias de segurança e defesa de Portugal e da Europa, não se descortinando de onde lhe advém o apregoado ‘peso político’…

O aparecimento tumultuoso deste tipo de personalidades faz-me recordar um antigo anúncio: o dos ‘homens da Regisconta’, que andavam pelo mundo com uma mala preta de executivo, a venderem soluções frequentemente desfasada0303s da realidade.

Estes são os ‘novos homens da Regisconta’.

Nas atuais circunstâncias, em minha opinião, mais do que figuras professorais e doutorais exigem-se personalidades com capacidades de administração e gestão, conhecimento prático e com vincadas características de lucidez e liderança.

Alguém destacou o facto de ter sido aspirante a oficial miliciano (!) e que terá servido na Escola de Sargentos, nas Caldas da Rainha. Talvez não seja necessário procurar tanto para encontrar justificações! Afinal, todos nos lembramos - ainda - dos predicados do seu antecessor, que revelaram o ‘apertado critério’ do primeiro-ministro para escolher um ministro da Defesa.

Apesar do ‘verbo’, é por demais evidente o modo e a forma como o Dr. António Costa encara, trata e resolve os assuntos de Defesa Nacional, esquecendo que também aqui é o principal (e, no momento, quase único) responsável pela política de defesa, competindo unicamente ao ministro da pasta concretizá-la.

Mas qual é a política de defesa deste Governo?

Alguém sabe? Alguém conhece? Que problemas resolveu?

Sobre a passagem de João Cravinho (filho) por um único cargo governativo - secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação dos governos de José Sócrates - não ‘reza a História’.

Quanto a ser ‘embaixador da União Europeia’, apresentado como argumento mais forte para ser ministro da Defesa, então, seguindo um raciocínio similar e cristalino, mais fácil seria encontrar um militar para assumir o cargo de ministro dos Negócios Estrangeiros…

Como diz o povo, terá o ‘benefício da inexperiência’ - pelo que aguardaremos com tranquilidade as suas primeiras medidas. Mas o que lemos, vimos e ouvimos sobre a sua natureza e caráter (que lamentavelmente, entre nós, é sempre um critério ausente) não ajudam muito.

Não nos devemos deixar ofuscar pela primeira medida da sua governação - a demissão do CEME -, bastante previsível e emblemática, mas que apenas resolveu o mais fácil.

Os portugueses esperam mais de um governante: que seja capaz de construir; que seja capaz de se bater por ideias; que seja capaz de dirigir; enfim, que seja capaz de fugir da lógica familiar e do círculo restrito (que se autoalimenta) e que caracteriza a órbita do atual Governo.

Nunca tivemos receio de errar, pois só não erra quem não faz; mas no caso presente desejamos estar profundamente equivocados.

Em nome da verdade, mantê-lo-emos cívica e democraticamente ‘debaixo de olho’ - prometendo desde já fazer um balanço objetivo após os (sempre decisivos) primeiros 100 dias de exercício de funções.

Nota: em número próximo analisaremos as nomeações do novo chefe do Estado-Maior do Exército e da secretária de Estado da Defesa Nacional.

*Major-General Reformado