Economia

Três listas na corrida à Associação Mutualista

Tomás Correia enfrenta a oposição de Fernando Ribeiro Mendes e de António Godinho. As eleições estão marcadas para dia 7 de dezembro.


Já começou a contagem de espingardas para as eleições da Associação Mutualista Montepio Geral (AMMG), marcadas para 7 dezembro. Há três listas a concorrerem à liderança da Mutualista: a de Tomás Correia, a de Ribeiro Mendes e a de António Godinho. Na última semana, o atual presidente da entidade já tinha deixado em aberto a hipótese de avançar para o seu último mandato, admitindo fazê-lo «no limite», se não encontrasse alguém mais jovem para o substituir. «Gostava de ter uma pessoa da geração posterior à minha que assumisse as rédeas do Montepio, imbuída dos seus valores, que não renegasse a sua história e que tivesse condições para acrescentar mais património ao grande património que esta casa tem. E tem de ser alguém que pudesse cá estar 15 anos», disse recentemente. 

Para os outros órgãos sociais, a Lista A apresenta a antiga ministra da Saúde e ex-candidata à Presidência da República (com o apio do PS) Maria de Belém como candidata ao conselho geral da AMMG, numa lista onde aparecem nomes como Luís Patrão (antigo presidente do Turismo de Portugal), Luís de Matos Correia (ex-secretário-geral do PSD e deputado à Assembleia da República) e ainda Maria das Dores Meira (presidente da Câmara Municipal de Setúbal, do PCP). Já o padre Vítor Melícias será o cabeça de lista à mesa da Assembleia Geral. Para o conselho fiscal, a Lista de Tomás Correia conta com o nome de Ivo Pinho, antigo presidente do IFADAP (Instituto de Financiamento e Apoio ao Desenvolvimento da Agricultura e Pesca). Manuela Eanes encabeça a Comissão de Honra, da qual constam ainda, entre outros, os nomes de Jorge Coelho e José Eduardo Martins, Edmundo Martinho e Rui Nabeiro, Francisco Moita Flores e Vasco Lourenço. 

 

Listas concorrentes

António Godinho, que já tinha  concorrido nas últimas eleições, oficializou ontem a candidatura e pretende «recuperar a confiança dos associados do Montepio». No entender do responsável, a lista C - ‘Juntos pelo Montepio. Recuperar a Confiança’ - «é a única que junta toda a oposição nas últimas eleições e é a única que verdadeiramente corporiza a alternativa aos atuais órgãos sociais. É uma lista de independentes, de pessoas que há muitos anos lutam pela renovação e pelo futuro da Associação Mutualista Montepio Geral. Pessoas de bem e com experiência e capacidade de gestão, que apenas querem ajudar e servir a AMMG».

O SOL sabe que na sua lista conta com nomes como Nuno Monteiro, que já tinha entrado nas últimas eleições, António Couto Lopes, Lúcia Gomes e Tânia Flores. Eugénio Rosa é o nome indicado para presidente do conselho fiscal da mutualista, enquanto Alípio Dias é a pessoa escolhida para liderar o conselho-geral.

A outra lista concorrente é liderada por Fernando Ribeiro Mendes, que tem sido uma das principais vozes críticas da liderança de Tomás Correia, ao apelar a mudanças profundas na associação. Ao que o SOL apurou, nesta constam nomes como Miguel Coelho (atual administrador da mutualista e quadro do banco, votou contra o aumento de capital e o lançamento da oferta pública de aquisição da mutualista à Caixa Económica Montepio Geral), Maria Nazaré Barroso (membro do conselho de administração da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões - ASF), Pedro Corte Real (professor da Universidade Nova). Já Vítor Baptista (antigo dirigente do PS de Coimbra) é o nome indicado para Conselho Geral. O ex-vice-governador do Banco de Portugal João Costa Pinto é o nome indicado para o conselho-geral da mutualista, e João Carvalho das Neves para o conselho fiscal.

 

Lista de continuidade

Segundo os estatutos das Associações Mutualistas, o atual conselho de administração é obrigado a apresentar uma lista de continuidade, mesmo que não mantenha os administradores que estão ainda em funções. Até 2003, houve sempre apenas uma lista a eleições, só no final desse ano é que começaram a surgir candidaturas alternativas. Nessa altura, coube a António Maldonado Gonelha, ex-ministro do Trabalho e da Saúde, fazer face à lista de José da Silva Lopes, que saiu vencedora.

A partir daí, as eleições no Montepio foram ganhando maior relevo e as listas também se foram multiplicando. Exemplo disso foi o que aconteceu no último ato eleitoral: apareceram na corrida quatro candidaturas. A lista liderada por Tomás Correia venceu as eleições para a Associação Mutualista com 58,7% dos votos, mas envolvida em forte contestação. 

Uma das candidaturas derrotadas - a de António Godinho, um dos rostos do projeto ‘Renovar Montepio’ e que volta a aparecer este ano - chegou a pedir a impugnação dos resultados, nomeadamente por não ter sido possível às listas da oposição assistirem ao processo de validação dos votos por correspondência (mais de 95% dos votos não são presenciais), mas o tribunal chumbou a repetição das eleições, considerando improcedente o processo que tinha sido intentado.