Politica

Fernando Negrão recruta passistas

Hugo Soares e Maria Luís Albuquerque foram chamados ao combate político contra o OE do PS.  Teresa Morais diz que valeu a pena ter denunciado o silenciamento de deputados.


O convite surgiu na sexta-feira, três dias antes do debate sobre o Orçamento do Estado para 2019. O líder parlamentar do PSD, Fernando Negrão, contactou o deputado Hugo Soares, seu antecessor, e a ex-ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, para fazerem as principais intervenções do primeiro dia de discussão, de combate político ao Governo. 

A decisão surpreendeu alguns deputados, sobretudo porque os visados  não faziam intervenções em plenário há meses. Mais, a penúltima reunião da bancada do PSD foi tensa com a deputada  Teresa Morais a fazer um discurso de fundo contra o «silenciamento» de colegas da bancada, uma intervenção que acabou por merecer uma reação dura de Fernando Negrão, o presidente do grupo parlamentar social-democrata.

O parlamentar garantiu que não havia silenciamento e que alguns deputados se recusavam a falar « porque não estavam a par do dossier ou porque não têm a mesma posição que a que é veiculada pelo partido». Negrão nunca os nomeou mas, agora, parece ter mudado de estratégia, combinada «naturalmente» com a direção do partido. 

Sobre as opções para o debate orçamental,  designadamente, de Hugo Soares, Negrão destacou- lhe as qualidades: «A escolha de Hugo Soares foi a escolha de um deputado que tem muita qualidade, já deu provas disso», declarou o líder parlamentar à imprensa já no final do debate, e após nova polémica. Hugo Soares considerou que a palavra do primeiro-ministro vale «muito pouchinho», num discurso aplaudido de pé por todos os deputados do PSD, à exceção de Negrão e do vice-presidente da bancada, Adão Silva, um dos mais próximos do líder, Rui Rio. Bateram palmas, mas destoaram do resto da equipa.  Afinal, a bancada estava unida? A resposta de Negrão foi justificativa: Não há divisão nenhuma. Os únicos que ficaram sentados fui eu e outro deputado porque nós estamos no comando dos trabalhos parlamentares». Alguns deputados, ouvidos pelo SOL, consideram desnecessária a atitude, depois de um sinal aparente de reconciliação com os críticos internos. Ainda assim, mais nomes conotados com a anterior direção  tomaram a dianteira nas intervenções políticas nas últimas semanas como Carlos Abreu Amorim, Teresa Leal Coelho ou Luís Leite Ramos. 

Questionada pelo SOL se o alerta que fez há duas semanas e meias teve efeito, Teresa Morais respondeu: «Eu não sei se a bancada me deu razão. O que eu sei é que alguma coisa mudou. E portanto o único comentário que farei, daqui por diante é: Já valeu a pena».

Rui Rio, por seu turno, montou uma estratégia para explicar as medidas alternativas ao Orçamento, com vídeos explicativos e dirigentes na estrada a falar aos militantes e simpatizantes.