Internacional

Israel. Ministro da Defesa demite-se depois de cessar-fogo com Hamas

Avigdor Lieberman considera acordo "uma rendição ao terrorismo" e retira apoio a Netanyahu

O ministro da defesa de Israel, Avigdor Lieberman, anunciou a sua demissão do governo chefiado por Benjamin Netanyahu, numa conferência de imprensa, esta quarta-feira. A decisão do governante é uma tomada de posição contra o cessar-fogo negociado entre as Forças de Defesa de Israel e o Hamas, após três dias de bombardeamentos de Israel e rockets disparados da Faixa de Gaza.

Conhecido por defender uma política israelita mais agressiva em relação aos palestinianos, Lieberman entende que estas tréguas representam “uma rendição ao terrorismo”. “O que estamos a fazer agora como Estado é comprar sossego a curto prazo, sendo o preço a pagar um grave dano, a longo prazo, para a segurança nacional”, afirmou. O antigo segurança soviético pressionou ainda o primeiro--ministro israelita, Benjamin Netanyahu, ao afirmar que o seu partido vai abandonar o governo de coligação e solicitar novas eleições.

O conflito em causa representou a escalada de violência mais intensa desde 2014 e teve início no passado domingo, quando o Hamas detetou uma força militar israelita em território palestiniano. O inesperado encontro resultou nas mortes de um tenente-coronel israelita, um comandante do Hamas e seis militantes deste grupo. A resposta do Hamas foi feita com mais de 400 mísseis lançados contra Israel. Do lado israelita, a força aérea ripostou, bombardeando mais de 100 posições na Faixa de Gaza. O confronto resultou em pelo menos 16 vítimas mortais.

Jerusalém ultra-ortodoxa

Entretanto, a histórica cidade de Jerusalém elegeu ontem para presidente da câmara Moshe Lion, que surgia apoiado por dois partidos ultra-ortodoxos. Zeev Elkin, o candidato apoiado por Netanyahu - e que ficou em terceiro -, acusou Lion de ser um mero “fantoche” nas mãos do agora ex-ministro da Defesa, Avigdor Lieberman, cujo partido apoiou a candidatura vencedora, e de terem assinado um pacto político entre eles para controlarem a cidade.