Internacional

Brexit. May desafia rebeldes conservadores e vai a Bruxelas

Uma nova sondagem colocou o Partido Trabalhista à frente do Conservador com 39% dos votos

A fação conservadora rebelde contra a primeira-ministra britânica, Theresa May, ainda não conseguiu os 48 pedidos de voto de confiança necessários para se votar a saída de May da liderança do Partido Conservador. E, sabendo-o, May voltou à carga contra os seus críticos em declarações à SkyNews: “Não fará as negociações [para o Brexit] serem mais fáceis e não vai mudar a aritmética parlamentar”. 

Na semana passada, May teve não só de apresentar e explicar o acordo para o Brexit alcançado com Bruxelas, em que poucos parecem acreditar e defender, mas também de enfrentar uma rebelião nas fileiras conservadoras e seis demissões no seu governo, entre as quais a do responsável pelas negociações com a UE, Dominic Raab, ministro britânico para o Brexit. Questionada sobre se pondera demitir-se do governo, May garantiu que não. “Claro que foi uma semana dura. Na verdade, as negociações foram duras desde o início e sabíamos que se iriam tornar cada vez mais difíceis”, explicou. 

Com poucos apoios na Câmara dos Comuns para o acordo, a aritmética parlamentar é o principal obstáculo a que o acordo seja aprovado. E se novas eleições de realizassem agora, seriam ganhas pelo Partido Trabalhista de Jeremy  Corbyn. Segundo uma sondagem do Opinium para o “Observer”, Corbyn obteve 39% das intenções de voto, enquanto os conservadores caíram cinco pontos em relação à última sondagem, ficando nos 36%. A queda do partido de May deve-se à mudança de voto dos eleitores que apoiam a saída do Reino Unido da União Europeia, marcada para 29 de março de 2019. 

Essa parcela do eleitorado acredita que o acordo de May é uma não saída da UE encapotada ao permitir que o Reino Unido fique no mercado comum num período de transição que pode ser prolongado indefinidamente. Os resultados da sondagem poderão incentivar o partido de Corbyn a pressionar para eleições antecipadas, a que se acresce a já expressa recusa do Partido Unionista Democrático, o parceiro de coligação de May, em não apoiar o acordo no parlamento. Caso o PUD retire o apoio ao governo, novas eleições legislativas terão de ser convocadas. 

Sabendo que a próxima semana será “crítica”, May anunciou que irá a Bruxelas para conversações com líderes europeus, entre os quais Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia. May tentará ganhar apoios europeus para os pormenores finais do acordo técnico, ainda que em Londres esteja cada vez mais isolada.