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Aliança. “Governo tem uma obediência cega a Bruxelas”

Carlos Pinto, membro da Comissão Instaladora Nacional do novo partido, afirma que há um “descuido” do governo em relação às infraestruturas. E refere que a tragédia de Borba é um exemplo disso

Na primeira conferência de imprensa da Aliança, Carlos Pinto, membro da Comissão Instaladora Nacional do recém-criado partido, deixou duras críticas ao governo. O ex-autarca da Covilhã salientou, por exemplo, que tem havido um “descuido” do executivo em relação às infraestruturas. “Há falta de recursos do Estado e dos agentes do Estado para responderem às necessidades que as infraestruturas vão apresentando. Faltam recursos para a fiscalização, para a intervenção e para a manutenção”, explicou.

Para Carlos Pinto, a tragédia de Borba - onde uma estrada ruiu e causou pelo menos dois mortos, além de haver ainda três pessoas desaparecidas - é um exemplo desse “descuido” do Estado. E deve-se a uma “obediência cega a Bruxelas”. “O governo tem apenas como objetivo cumprir os valores nominais do défice, sem atender àquilo que é importante na prestação de cuidados diversos para os portugueses e para as estruturas que lhe cabe manter”, justificou.

O antigo militante do PSD sublinhou que a Aliança é “pela Europa”, pela “continuação na Zona Euro” e pelo “cumprimentos dos tratados”, mas que tem “uma posição nova” - e muito diferente da defendida pelo governo - sobre o que deve ser a relação entre os Estados-membros e as instituições europeias. “Entendemos que tem havido um sufrágio espontâneo, imediato e não questionante daquilo que é a posição de Portugal sobre as exigências que a Comissão Europeia tem feito”, alertou.

Mas, para Carlos Pinto, há aqui um “paradoxo”: a “obediência cega” do governo a Bruxelas não salva o nosso país dos reparos da Comissão Europeia. O membro do Aliança lembrou que ontem foi publicada uma nota informativa da Comissão Europeia que coloca Portugal, juntamente com a Itália, a França e a Eslovénia, no grupo de países cujos orçamentos não cumprem os parâmetros exigidos pela Comissão. “Os portugueses estão a sofrer medidas de um fundamentalismo absolutamente inaceitável, que poderíamos identificar mais com o presidente do Eurogrupo do que com o ministro das Finanças de Portugal. E nem assim estamos a merecer da Comissão Europeia um sufrágio positivo”, salientou.

Já a Aliança, reitera Carlos Pinto, não “comunga deste fundamentalismo”. E não entende como é que o PS, “que tanto se empenhou em combater as medidas do anterior governo” durante a intervenção da troika em Portugal, “já cativou mais recursos previstos no Orçamento do Estado” do que o executivo do PSD/CDS. 

“Precisamos de uma nova visão de diálogo entre o governo português e a União Europeia e a Aliança está completamente preparada para esse efeito. Estamos convictos de que vem aí uma nova fase na relação entre os Estados-membros e as instituições europeias”, afirmou o dirigente da Aliança.

“Degradação” da Saúde

Carlos Pinto criticou também o governo pela forma como tem gerido uma área tão importante como a Saúde. “Cuja crescente degradação em termos de tempos de espera e qualidade de serviços está a prejudicar aqueles mais carenciados e está a colocar doentes e famílias no anonimato do seu drama”, referiu.

O antigo autarca da Covilhã alertou ainda para a falta de “45,1 milhões de medicamentos” nas farmácias portuguesas, “vários deles classificados como essenciais pela Organização Mundial de Saúde”. “Não podemos tolerar esta situação”, alertou.

Para Carlos Pinto, o governo tem falhado também no setor da Justiça, havendo “uma ausência de respostas aos portugueses”. O dirigente da Aliança criticou ainda a postura do executivo em relação à greve dos juízes, que começou na terça-feira e vai durar até outubro de 2019. “O governo regateia com os juízes, atropela os avisos do Tribunal Constitucional pelo respeito do Estatuto dos Juízes e limita-se a responder que ‘a greve dos Juízes não é própria’”, destacou.

Em termos gerais, Carlos Pinto acusou o governo de “uma grande desorientação e uma falta de rumo em relação àquilo que é mais importante para o país”. “O governo está apostado em comprar o voto, através de medidas fáceis e oportunistas, como a atribuição de manuais escolares para todos os alunos até ao 12º ano, sem qualquer noção de justiça social”, apontou.