Internacional

CIA terá gravação de príncipe saudita a dar ordem para matar Khashoggi

Jornalista turco diz que Mohammed bin Salman, deu ordens para que Jamal Khashoggi fosse “silenciado o mais rapidamente possível”

Um jornal turco avançou, esta quinta-feira, que a CIA tem em sua posse a gravação de uma chamada na qual o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, deu ordens para que Jamal Khashoggi fosse “silenciado o mais rapidamente possível”. De acordo com o jornalista Abdulkadir Selvi, do jornal turco Hurriyet, a directora da CIA, Gina Hospel, terá informado, no mês passado, as autoridades turcas da existência desta gravação.  

A CIA tinha já afirmado ter fortes indícios para acreditar no envolvimento do príncipe Saudita. Questionado sobre a gravação, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse: “Eu não quero falar sobre isso. Terão de perguntar à CIA”. A agência, contudo, recusou-se a comentar. Mais tarde, Trump diria aos jornalista sobre as investigações da CIA: “Eles não chegaram a uma conclusão. Eu tenho o relatório. Eles não concluíram, eu não sei se alguém vai ser capaz de concluir que o príncipe herdeiro fez isso”.

Um funcionário do Departamento de Estado dos EUA, que viu uma versão do relatório da CIA, disse que é “incrivelmente óbvio” que foi o príncipe a ordenar o assassinato. Sob condição de anonimato, o funcionário disse à ABC News, esta terça-feira, que havia um “consenso esmagador de que a liderança saudita está envolvida”. A fonte reconheceu que as palavras como “provavelmente” e “é provável” são usadas ao atribuir a culpa ao príncipe Mohammed, acrescentando, contudo, que os relatórios de análise da CIA raramente incluem conclusões explícitas.

Ao contrário dos Estados Unidos, alguns países europeus já tomaram medidas. O ministro das Relações Exteriores dinamarquês, Anders Samuelsen, anunciou esta quinta-feira que “com a contínua deterioração da situação já terrível no Iémen e o assassinato do jornalista saudita Jamal Khashoggi, estamos agora perante uma nova situação”. A Alemanha também suspendeu a emissão de licenças de exportação de armas e suspendeu todas as vendas de armas, enquanto que a França afirmou que vai determinar em breve quais as sanções a serem aplicadas.

A Arábia Saudita começou por negar qualquer envolvimento na morte do colunista do Washington Post, Jamal Khashoggi no consulado saudita, em Istambul. Na semana passada o procurador-geral saudita veio a público pedir pena de morte para os responsáveis pelo assassinato, revelando que Khashoggi tinha sido drogado e esquartejado. Ainda assim, o magistrado disse que o príncipe Mohammed bin Salman estava ilibado do crime.

A suspeita sobre o membro da família real terá sido lançada pelo presidente da Turquia, Recep Erdogan quando disse que a ordem para matar o colunista surgira ao mais alto nível da hierarquia saudita.