Desporto

Libertadores. Pablo Pérez: "Não vou jogar num campo onde posso morrer"

Capitão do Boca Juniors foi um dos jogadores que necessitaram de tratamento hospitalar após o ataque dos adeptos do River Plate e não quer voltar ao Monumental

A segunda mão da final da Taça Libertadores continua a causar convulsões na Argentina. O encontro, recorde-se, estava marcado para o início da noite de sábado e punha frente a frente o River Plate e o Boca Juniors, eternos rivais e os maiores clubes do país alviceleste, mas não se chegou a realizar devido ao ataque dos adeptos do River ao autocarro onde seguia a equipa do Boca, que deixou inclusive alguns jogadores dos xeneizes feridos e a necessitar de tratamento hospitalar.

Inicialmente, e depois de vários avanços e recuos, a partida foi remarcada para domingo, mas acabou por ser novamente adiada: a decisão final será conhecida hoje, após uma reunião entre a direção da CONMEBOL (Confederação Sul-Americana de Futebol) e os presidentes dos dois finalistas. Em cima da mesa estão várias datas, mas também outros locais além do Estádio Monumental, inclusive fora do país - a imprensa argentina avançou com Abu Dhabi, onde se irá disputar o Mundial de Clubes, e já ontem o vice-presidente da Câmara de Génova, Itália, manifestou o desejo de receber a partida. “A nossa cidade tem a honra de estar disponível para acolher um jogo tão importante e prestigiado. Seria também uma oportunidade adicional para dar visibilidade internacional a Génova neste período difícil e para renovar a amizade profunda que nos liga historicamente”, escreveu Stefano Anzalone, numa missiva enviada aos presidentes dos dois gigantes argentinos onde recordou a tragédia que se abateu sobre Génova em agosto, com a derrocada da ponte Morandi e a morte de 43 pessoas.

Pela vontade de Pablo Pérez, capitão do Boca e um dos jogadores que ficaram feridos, o jogo não deveria mesmo ser disputado no Monumental. “Não vou jogar num campo onde posso morrer. Se jogássemos e ganhássemos, matavam-me. Tenho mulher e três filhas. A mais velha abraçou-me a chorar quando cheguei a casa”, contou, num relato emocionante divulgado pelo jornal argentino “Olé”.

 

Pirotecnia amarrada no filho Uma das imagens de sábado que maior choque causou na comunidade internacional foi a de uma mãe, adepta do River, a amarrar vários engenhos pirotécnicos ao corpo do filho de seis anos, de modo a escondê-los para poder entrar com eles no estádio. A “adepta” em questão foi entretanto identificada pela procuradora de Buenos Aires, Adriana Bellavigna, e posteriormente detida.

 

 

Ontem, o advogado revelou que a mulher em questão se irá declarar como “cúmplice”. Carlos Broitman assumiu ter ficado chocado ao ver as imagens, mas considera que a sua cliente não pôs qualquer vida em risco, inclusive a da criança. “Avaliámos a questão, de assumir a defesa ou não. O que ela tinha em seu poder não punha em risco nem os seus filhos nem ninguém. Assumimos a defesa porque temos a certeza que o que se viu nunca pôs em perigo a vida de outras pessoas ou dos seus filhos”, declarou o causídico aos jornalistas, completando: “Ainda se vão descobrir mais pessoas que estavam dentro do estádio, perto dela, e qual era a realidade da situação.” A imprensa argentina garante que a mulher arrisca uma pena de prisão de dois a seis anos.