Politica

Marcelo afirma que não viu o vídeo da morte de Khashoggi

Segundo o Presidente, o vídeo mostra “teoricamente” o jornalista a ser “despedaçado vivo, cortado aos pedaços vivo”

Marcelo Rebelo de Sousa negou esta terça-feira ter visto o vídeo da morte do jornalista saudita Jamal Khashoggi que anda a circular entre os chefes de Estado.

“A nível de Estados circula o filme” e houve vários elementos da política internacional que “tiveram acesso a esse filme”, relatou esta terça-feira o Chefe de Estado no âmbito do evento “Jornalistas no Palácio de Belém”, onde participaram alunos do 9.º ao 12.º anos.

Marcelo confessou que, durante uma reunião de chefes de Estado, “um dos políticos ali presentes” lhe informou da existência do vídeo e o questionou se o tinha visto. “Eu não vi o filme”, respondeu o Presidente.

"É que há um filme - o que mostra também como são os serviços de espionagem recíprocos - feito pelo país onde se encontra instalada essa estrutura diplomática [o consulado da Arábia Saudita em Istambul, na Turquia], que descreve como é que, teoricamente, teria sido morto esse jornalista", disse ainda Marcelo.

O Chefe de Estado disse ainda que Khashoggi, “teoricamente”, foi “despedaçado vivo, cortado aos pedaços vivo, ainda vivo”, ressalvando que usa o termo “teoricamente ou alegadamente” porque não viu o filme. "Isso, infelizmente, acontece. Já aconteceu até a chefes de Estado, e a políticos, os mais diversos", acrescentou.

O facto de o vídeo não ter chegado à comunicação social ou à Internet é para Marcelo uma questão importante uma vez que, caso isso acontecesse, o Presidente defende que era preciso colocar a questão: “Passa-se este filme ou não se passa este filme? Porque não é qualquer violência, é uma violência extrema em condições extremas”.

"Isto para vos explicar que há, de facto, situações que se colocam no dia-a-dia nesta aventura que é a comunicação social e, dentro dela, o jornalismo que são as mais inesperadas e mais complicadas", rematou o Presidente.

Recorde-se que o colunista que trabalhava para o Washington Post - e que era assumidamente crítico do governo saudita -  foi morto depois de ter ido ao consulado da Arábia Saudita em Istambul para levantar os documentos necessários para casar com uma cidadã turca. Segundo a investigação da CIA, a ordem para matar o jornalista terá vindo do príncipe herdeiro da Arábia Saudita.

O evento contou ainda com a participação de Rodrigo Guedes de Carvalho, pivô da SIC, que falou sobre as “fake news”. O jornalista confessou que recebe regularmente emails de “um senhor, simpático, aliás, que vive no estrangeiro” onde “veicula tudo aquilo que circula na internet”, em especial contra os migrantes.

E explicou: No último email que recebeu, na madrugada desta terça-feira, vinham “uma série de fotografia teoricamente de um campo num país árabe” com “milhares de tendas com ar condicionado, que parece uma mensagem”. "Houve uma que por acaso desmontei e depois vi desmontada na imprensa", acrescentou referindo-se à fotografia que circulou nas redes sociais sobre pessoas sem-abrigo em Lisboa e que, afinal, tinha sido tirada noutro país.