Opinião

Êxitos na Taça Davis forjam campeões

Poderia dar outros exemplos mas o que importa é que a Taça Davis - no formato tradicional que se extinguiu com a final do fim de semana passado, em Lille, pois ninguém sabe como irá resultar o novo figurino que nascerá em 2019 - foi uma rampa de lançamento de grandes carreiras.

Rafa Nadal ganhou a Taça Davis pela primeira vez em 2004, antes de tornar-se no vencedor de 17 títulos do Grand Slam e da medalha olímpica de ouro.

«Na altura, foi o meu maior troféu e jogar pelos companheiros ajudou», disse o espanhol, que voltou a levantar a Saladeira em 2009 e 2011.

Novak Djokovic já tinha arrebatado o Open da Austrália em 2008 quando triunfou na Taça Davis em 2010, mas foi esse sucesso que impulsionou-o a sagrar-se campeão de 14 Majors. Em 2011 teve a sua melhor época de sempre, logo depois da final de Belgrado que ficou na história pelo comportamento condenável de um público exageradamente patriota.

«Coloco aquele momento no primeiro patamar de tudo o que vivi. Tornámo-nos lendas ao alcançar um dos maiores feitos do nosso país. A Taça Davis deu-me fome de sucesso», declarou o sérvio.

Andy Murray também já era campeão olímpico, do US Open e de Wimbledon quando triunfou na Taça Davis em 2015, mas foi logo no ano seguinte que viveu a sua melhor temporada e chegou pela primeira vez a n.º 1 mundial.

«Tinha dito que o meu título olímpico era o meu favorito, mas nunca me senti tão comovido como depois da vitória de hoje. É algo que irei recordar toda a vida. Nada irá aproximar-se deste momento», comentou o escocês.

Poderia dar outros exemplos mas o que importa é que a Taça Davis - no formato tradicional que se extinguiu com a final do fim de semana passado, em Lille, pois ninguém sabe como irá resultar o novo figurino que nascerá em 2019 - foi uma rampa de lançamento de grandes carreiras.

Acredito que poderá sê-lo de novo para os dois croatas que asseguraram os três pontos do triunfo da Croácia sobre a França por 3-1: Marin Cilic, que vergou Jo-Wilfried Tsonga e Lucas Pouille; e Borna Coric que derrotou Jérémy Chardy.

O caso de Cilic é mais fascinante. Aos 30 anos é um membro consolidado do top-10 mundial. Já ganhou um torneio do Grand Slam no US Open de 2014, esperou-se que explodisse ao mais alto nível, mas só voltou às finais de Majors em Wimbledon 2017 e no Open da Austrália de 2018, depois de ter perdido de forma incrível a final da Taça Davis de 2016, em casa, em Zagreb.

Cilic liderava por 2-0 em sets diante de Juan Martin del Potro e perdeu os três sets seguintes. A Argentina venceu a Saladeira pela primeira vez, Cilic ficou destroçado mas deu a volta por cima.

Em 2018 fartou-se de perder encontros que deveria ter ganho, mas fechou a época em alta ao oferecer o segundo título da Taça Davis à Croácia (depois do de 2005) e aposto que o n.º 1 croata  e n.º 7 mundial irá ainda atingir novos picos.