Cultura

António Santa-Rita. O arquiteto que ajudou a romper a fronteira entre o norte e o sul do país

A ministra da Cultura, Graça Fonseca, lamentou a morte do arquiteto

Nome emblemático do urbanismo português, António José de Santa-Rita, o arquiteto que esteve envolvido nas grandes travessias do Tejo, morreu no domingo aos 80 anos. Além de ter liderado o setor de arquitetura do Gabinete da Ponte sobre o Tejo (1966-1970), foi consultor do Gabinete da Nova Travessia do Tejo em Lisboa (Gattel), entre 1992 e 1994, para a construção da Ponte Vasco da Gama. Esteve ainda à frente de serviços da Junta Autónoma das Estradas, atual Infraestruturas de Portugal (1991-1998), nas áreas da arquitetura, tráfego, manutenção, portagens e exploração.

A ministra da Cultura, Graça Fonseca, lamentou a morte do arquiteto, «nome de destaque do urbanismo português que ficará para sempre ligado, entre outros aspetos, às duas grandes travessias do Tejo, com profundo impacto no tecido urbano da área metropolitana de Lisboa».

Santa-Rita foi autor de planos de urbanização e de pormenor para a Câmara da Marinha Grande, para São Pedro de Moel, Vieira de Leiria e Praia da Vieira, assim como de planos de pormenor para Leiria e Albufeira (1972-1986).

Com formação em sustentabilidade, Santa-Rita formou-se pela Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa, em 1964, Mestre em ‘Built Environment Evaluation in Sustainability’ pela Universidade de Salford, Reino Unido, e Doutorado pela Universidade Portucalense, era professor de arquitetura na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologia, desde 1999, e exerceu a profissão liberal no atelier Contacto Atlântico, de acordo com a Ordem dos Arquitetos.

No comunicado do Ministério da Cultura, destaca-se como a carreira de arquiteto «desenvolveu-se em paralelo com a investigação académica, a docência no ensino superior e a publicação de uma obra relevante, nomeadamente, na área da sustentabilidade ambiental e no repositório da sua experiência profissional no Gabinete da Ponte sobre o Tejo e na Junta Autónoma de Estradas». 

Com uma vasta experiência profissional foi autor de obras como: As Estradas em Portugal – Da Monarquia ao Estado Novo – 1900-1947 (2006); O Ensino da Arquitetura e a sustentabilidade de alguns materiais de construção (2011); A Arquitetura da Era Colonial de S. Tomé e Príncipe. Caracterização e Identidade. Com Considerações Urbanísticas atuais das Roças, com Maria Alice Ramos Pires Lobo (2012); Estrada Marginal Lisboa-Oeiras-Cascais. Maravilha de Sentido Atlântico, com Célia Garrett Florêncio (2015), entre outras. Merece particular destaque a obra 50 Anos de Ponte sobre o Tejo em Lisboa em que o arquiteto deixa testemunho da notável obra de engenharia técnica e financeira que «atravessou o Tejo mas também os regimes e cresceu, em tráfego e importância, desde a sua construção e inauguração até à introdução do caminho de ferro, não escapando às difíceis dores do crescimento, com os bloqueios das portagens, os buzinões, as recusas de pagamento de portagens, turbulências encostadas à exploração política que a ponte indevidamente oferece, fronteira sensível entre o norte e o sul do país e que tem forte influência na economia regional e nacional».