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As desprezadas praças de Lisboa

Lisboa tem praças magníficas mas estão longe (muito longe) de serem espaços agradáveis e bem conservados.

As principais praças de Lisboa estão degradadas, a envolvente está decadente, ou estão monopolizadas por feiras de qualidade (e utilidade) muito discutível que invadem todo o espaço público. As praças de Lisboa estão desperdiçadas na sua função e parece que ninguém quer saber.

As praças revestem-se de especial relevância na organização do espaço urbano e na dimensão social de uma cidade. A organização espacial dos aglomerados urbanos, desde os tempos mais remotos, destaca as praças como centros de atividade política, comercial ou religiosa, constituindo-se como referências e pontos de convergência social.

As praças são o espaço público de encontro, convívio e realização de acontecimentos festivos, contendo, em regra, elementos urbanos de referência como edifícios notáveis e monumentos.

Em qualquer vila ou cidade em Portugal ou no estrangeiro, as praças são elementos de referência, especialmente bem cuidados do ponto de vista da limpeza, manutenção e conservação do edificado. São espaços tratados com especial zelo e considerados como a imagem da cidade transmitida a quem a visita.

Lisboa parece desprezar as suas praças. As mais centrais, históricas e importantes praças da capital estão, de um modo geral, mal tratadas.

O Rossio é envolvido por prédios, muitos deles degradados, fontes sem manutenção e até um bebedouro (fonte dos 4 anjos) com desenho idêntico a uma outra nos Campos Elísios, em Paris, com a diferença de que a “nossa” se encontra em avançado estado de degradação.

A Praça da Figueira é uma das praças mais maltratadas de Lisboa: prédios em elevado estado de degradação, espaço público sujo e quase sempre ocupada por grandes tendas que invadem o espaço, contribuindo para uma imagem de desleixo.

O Martim Moniz, embora de configuração recente, é um caso de insucesso urbanístico completo. A praça encontra-se cercada por edifícios de gosto muito duvidoso, constituindo barreiras para as colinas que a circundam e a placa central encontra-se povoada por quiosques de ferro sem qualquer adequação ao local. Trata-se de uma concessão com atividade decadente e os moradores queixam-se de que se tornou um espaço mal frequentado e inseguro.

A Câmara pretende agora renovar a concessão com um projeto que prevê a colocação de contentores empilhados no meio da praça com atividade de restauração e comércio. Trata-se de uma infeliz ideia que não trará benefícios estéticos e promoverá a continuação do ruído de que se queixam os moradores. Aliás, o propósito de concessionar em permanência uma praça é, por si só, um mau princípio, ainda pior quando o projeto é feito contra a vontade dos habitantes e até da Junta de Freguesia local que deveria ter sido ouvida e respeitada.

Estes são apenas alguns exemplos de praças de Lisboa maltratadas. Mas há muitas outras onde não se observa cuidado e brio. Basta pensar um pouco e facilmente se identificam outros casos de desleixo, de falta de limpeza, de degradação ou de ocupação sistemática e abusiva por feiras que impedem a fruição dos espaços.

Lisboa precisa de voltar a olhar para as suas praças como elementos de qualificação e referência da cidade, implementando programas sistemáticos que prevejam a limpeza, a instalação e a renovação do mobiliário e elementos urbanos, a reabilitação dos edifícios, a manutenção e iluminação de fontes e estátuas, a instalação de esplanadas e de outros espaços de estadia e a disciplina da ocupação com eventos.