Opiniao

A ‘Faden Madrinha’ de Costa é a nova presidente da FLAD (ou sobre o fim da decência política)

Será que Rita Faden surge na sequência do (bom) exemplo do seu antecessor? A resposta é negativa: esta é conhecida por ser uma pessoa da confiança política máxima de António Costa, com quem trabalhou no Ministério da Administração Interna e recentemente como sua chefe de gabinete

1. O PS não perde uma oportunidade para capturar o poder. Pois bem, não deixa de ser surpreendente que a designação do novo Presidente da FLAD (Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento) siga a mesma lógica: o critério de escolha foi a amizade ao primeiro-ministro. E, neste caso, a amizade afigura-se mesmo como o único critério lógico que permite explicar que Rita Faden seja a próxima Presidente da Fundação que deve zelar pelo aprofundamento das relações bilaterais entre Portugal e os EUA. A escolha para Presidente deve, por conseguinte, recair sobre alguém que tenha currículo académico ou profissional que ateste um conhecimento mínimo da relação transatlântica, que tenha um pensamento sobre a matéria. E tem sido esta a prática seguida pelos sucessivos governos. 

 

2. Assim, Rui Machete foi escolhido, após ter antecipado a centralidade da nossa relação com os Estados Unidos da América. Maria de Lurdes Rodrigues, nomeada por José Sócrates, apesar de todas as deficiências que viria a revelar no exercício das suas funções de Presidente (por exemplo, não sabia falar inglês) tinha no seu currículo uma experiência como ministra da Educação e um sólido percurso académico no ISCTE. Notava-se uma adequação mínima do currículo de Maria Lurdes Rodrigues. O atual Presidente, Vasco Rato, tem, de longe, o melhor currículo dos três Presidentes com que a FLAD já contou. Doutoramento em Relações Internacionais, é respeitado nos meios políticos, empresariais, académicos norte-americanos, lecionou, entre outras, na Universidade de Georgetown - e tem uma vasta obra publicada, que constitui material de referência de ensino e estudo de Relações Internacionais. 

 

3. Ora, será que Rita Faden surge na sequência do (bom) exemplo do seu antecessor? A resposta é negativa: esta é conhecida por ser uma pessoa da confiança política máxima de António Costa, com quem trabalhou no Ministério da Administração Interna e recentemente como sua chefe de gabinete. Diz-se nos bastidores que Rita Faden é tão cúmplice de António Costa que chegava, não poucas vezes, a incomodar os restantes Ministros: Faden dava ordens e instruções aos Ministros da geringonça como se de uma co-primeira-ministra se tratasse. Rita Faden chegou mesmo a forçar a saída da Secretário de Estado dos Assuntos Europeus, muito querida entre os socialistas e reconhecidamente competente, Margarida Marques. Não é assim de admirar que vários ministros e outros membros do executivo se tivessem incompatibilizado com Rita Faden, exigindo a sua saída do Governo. António Costa compreendeu que a sua chefe de gabinete gerava ódios e dificuldades óbvias no funcionamento interno do executivo, pelo que se impunha o seu afastamento, em troca de algo. E esse algo é a presidência da FLAD.

 

4. Resultado: mais uma vez, António Costa não se importa de sacrificar a dignidade e o prestígio das instituições (colocando em risco o seu futuro) para agradar a amigos. Entendamo-nos: Rita Faden pode ter muitas qualidades profissionais e um currículo que a habilite para o exercício de vários cargos; contudo,  este é manifestamente insuficiente para assumir a presidência da FLAD. Acresce que Rita Faden tem experiência em matéria de assuntos europeus, sabendo, no entanto, muito pouco sobre os EUA. Não conhecemos um pensamento estratégico, um artigo, um estudo de Rita Faden sobre os desafios conjuntos do nosso país e dos EUA - e qual o papel que a FLAD deve desempenhar neste contexto. Mais: Rita Faden é uma das defensoras do entusiasmo socialista pela China. A amiga fiel, leal e incondicional de António Costa, sua chefe de gabinete intemporal, segue a linha de aprofundamento da presença chinesa em Portugal. Ora, esta orientação estratégica de Faden é incompatível com a visão norte-americana que qualifica como uma ameaça à segurança (nacional e internacional) a ofensiva chinesa de tomada de controlo de setores estratégicos em países europeus. Ou seja: Portugal irá propor como Presidente da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, que visa aprofundar a relação bilateral entre os dois países, uma funcionária pública que é neo-federalista e pró-China! É uma provocação do primeiro-ministro, entre outros, ao Embaixador dos EUA em Lisboa, George Glass…

 

5. Por último, uma perplexidade: então, vai-se escolher para Presidente de uma fundação de direito privado com utilidade pública, alguém cuja experiência profissional se resume a cargos onde teve de obedecer a ordens do poder político? É que, percorrendo o currículo de Rita Faden, só há duas notas comuns a todas as funções que exerceu: nunca teve autonomia decisória, limitando-se a executar ordens; é uma pessoa cegamente leal a António Costa. O que significa que quem mandará na FLAD será António Costa, em mais uma jogada de controlo absoluto do Estado em sentido amplo (será que até a FLAD servirá para parceria estratégica com o Estado chinês?).