Sociedade

Luís Newton sobre buscas Tutti Frutti: "Senti um grande enclausuramento"

Em entrevista ao jornal i, Luís Newton afirma que as contratações para a junta da Estrela não são feitas em função da cor do partido e garante que não é um cacique. Newton fala ainda do Huaweigate e da sua desilusão com a decisão de Santana Lopes


Luís Newton, presidente da Junta de Freguesia da Estrela, garante não ter participado ou ter tido conhecimento de qualquer reunião em que o PS e o PSD tenham acordado candidatos às autárquicas, como apontam algumas notícias no âmbito da Operação Tutti Frutti. Segundo Newton, quando foi alvo de buscas, sentiu "um grande enclausuramento, sem saber o que se estava a passar lá fora".

Na mesma entrevista o presidente da junta da Estrela afirmou ainda que nessa altura, apesar de Fernando Medina, presidente da Câmara Municipal de Lisboa, também ter sido também alvo de buscas no mesmo inquérito, apenas o seu nome surgia nas notícias.

Quanto às polémicas relativas à contratação de pessoas ligadas ao PSD, Newton diz que as mesmas não fazem sentido e que todos os procedimentos são claros: "A contratação na Junta da Estrela é clara. Se as pessoas são do PSD, PS, CDS, Bloco, PCP, a mim 'me da igual'".

O social-democrata cujo o nome foi referido em processos como o Huaweigate e Tutti Frutti garantiu ainda àquele jornal que apesar de ser um mobilizador, não é um cacique. "Não sou um cacique, nunca me vão ver a pagar para ter votos", disse.

E justificou ainda o facto de ser tantas vezes alvo de insinuações, que considera terem origem no combate político: "A junta da Estrela é uma referência no panorama da gestão autárquica local e eu sei perfeitamente que quando isso acontece num local tão difícil como a cidade de Lisboa e com uma pessoa como eu, que tem peso político dentro do próprio partido e sou reconhecido por isso, vejo com naturalidade que o confronto seja mais intenso comigo. Não à volta das minhas ideias, mas com insinuações. E há um caminho mediático e o judicial".

Sobre a liderança do PSD, lembrou que votou em Santana Lopes e que por isso não acredita que a estratégia de Rui Rio seja a melhor. Mas considera "terrorismo partidário" pedir um congresso antecipado.

Apesar do apoio a Santana para a liderança do PSD, lança duras críticas à decisão de fundar um novo partido: "O Aliança descaracteriza tudo aquilo que é a memória política e a dimensão de proximidade do PSD".

E não escondeu a desilusão com Santana Lopes: "Sá Carneiro também se afastou do partido, mas não fundou um outro. Refletiu e regressou com mais força".

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