Politica

Negrão."Os atropelos à falta de rigor e de transparência têm de ter uma sanção"

O líder da bancada do PSD quis implementar alterações ao regulamento interno do grupo parlamentar, mas por falta de quórum, o processo foi atirado para janeiro de 2019.  E haverá recolha de contributos entre os deputados sociais-democratas.

"Os atropelos à falta de rigor e de transparência têm de ter uma sanção". Foi desta forma que o líder da bancada do PSD, Fernando Negrão, explicou esta quinta-feira o caminho a seguir para rever o regulamento interno do grupo parlamentar social-democrata.

A declaração de Negrão surgiu depois de uma reunião da bancada para debater as falsas presenças. O objetivo, segundo Negrão, seria falar de "democracia", e do papel dos deputados, que não se esgota no plenário ou nas comissões. Houve até tempo para intervenções de alerta contra o populismo ou garantir uma resposta séria contra a polémica que envolveu vários deputados da bancada do PSD. Negrão ouviu e levou à reunião uma solução para garantir que seis faltas injustificadas, na Legislatura, darão sanções, abrindo caminho à suspensão de mandato. Mas o líder parlamentar não conseguiu. Na bancada não havia quórum suficiente e vários deputados questionaram a proposta. A solução foi atirar para Janeiro o problema. Até lá, os deputados darão contributos, alternativas e soluções para renovar o regulamento interno da bancada do PSD.

Na discussão à porta fechada, o deputado Duarte Marques chegou a sugerir que o Parlamento seguisse o regime de registo central de presenças do Parlamento Europeu. Matos Rosa, ex-secretário-geral do PSD, viu-se envolto na polémica por ter tido um registo de presença, em 2017, quando estava em Cabo Verde. O deputado pediu desculpas por qualquer "incómodo" causado à bancada. Negrão saíu em sua defesa, reconhecendo que é um homem "sério". O resultado foi uma salva de palmas, a única ouvida no encontro. Também o atual secretário-geral do PSD, José Silvano, que se viu envolvido na polémica de falsas presenças, admitiu que até já saberia quem denunciou o caso. No final, vários deputados pediram uma reforma do sistema eleitoral ou do funcionamento do Parlamento, mas ninguém vai avançar porque se está em ano eleitoral.