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Transportes públicos - promessas e concretizações

Os transportes públicos estão na ordem do dia. Mas as notícias oscilam entre os problemas e as promessas. Mais de três anos depois do atual governo ter assumido funções, os problemas do funcionamento dos transportes públicos aumentam, as acusações de responsabilidade do anterior governo repetem-se, mas nada melhorou. Foram três anos perdidos. A diferença é que se no passado o país estava sujeito à troika, agora o governo não tem esse argumento e a situação dos transportes públicos agravou-se. Perante esta situação a única iniciativa é, mais de três anos depois, começar a anunciar investimentos que terão concretização apenas daqui a quatro ou cinco anos.

A falta de investimento nos transportes públicos não é de hoje nem do último governo. Tem décadas. Mas se preferirmos ter vistas mais curtas e olhar para o período do anterior governo, então importa ser sério na análise. É um facto que não houve investimentos significativos nos transportes públicos e foram impostas restrições financeiras às empresas de transportes durante o último governo. Porquê? Porque Portugal foi condicionado por um programa de assistência financeira que determinou limitações aos investimentos e cortes nas despesas públicas. Quem negociou e subscreveu esse memorando foi um governo do partido socialista. Porquê? Porque esse mesmo governo conduziu o país a uma situação de insolvência.

Mas a situação do país é agora diferente. Os sacrifícios impostos aos portugueses permitiram uma situação financeira mais favorável. O atual governo tem beneficiado do sucesso alcançado e faz questão de sublinhar os sucessos económicos do país. No entanto, a degradação que se verifica nos transportes públicos não é coerente com o êxito propalado.

Nos comboios sucedem-se as notícias de supressões de horários de circulação, atrasos, avarias, e sobrelotação. Perante este cenário, o governo, durante três anos, nada fez. Agora anuncia a aquisição de novos comboios que apenas começarão a chegar, na melhor das hipóteses, em 2023. Até lá os utentes continuarão a sofrer as consequências deste atraso. Foram três anos perdidos.

No metropolitano de Lisboa a situação é semelhante. As avarias são recorrentes e a frequência é insuficiente. Também neste caso foi preciso esperar que passassem três anos para que fosse lançado o concurso para a aquisição de novas composições que chegarão apenas daqui a 4 ou 5 anos.

Também nos barcos que asseguram a travessia do Tejo são constantes as notícias de avarias e supressão de horários. A resposta, mais uma vez, demorou mais de três anos. Apenas no próximo ano será lançado o concurso para aquisição de novas embarcações que começarão a chegar, na melhor das hipóteses, em 2022. Foram mais três anos perdidos.

Os transportes públicos estão em avançado estado de degradação. Aqueles que acusaram outros de desinvestimento são os mesmos que adiaram a recuperação da situação. Os mesmos que anunciam a saúde financeira do país optaram por não dar prioridade ao investimento nos transportes públicos. Foram três anos de proclamações sem concretização. Foram três anos perdidos. São mais três anos de falta de respeito por quem depende dos transportes públicos para se deslocar.

Entretanto foi anunciado o passe com desconto para todos. É uma medida importante. Mas perante o cenário de degradação dos transportes públicos e adiamento do investimento na sua melhoria, trata-se da criação de falsas expectativas.