Economia

Crédito. Bancos deram quase 640 milhões só para consumo em outubro

Nem as regras apertadas estão a travar este aumento. Foram concedidos quase 21 milhões de euros por dia, em que a grande fatia foi para a compra de carro.

O montante concedido para o crédito ao consumo voltou a aumentar em outubro. Só nesse mês foram concedidos quase 640 milhões de euros, o que representa uma subida de 14,9% face ao mês anterior, revelam os dados divulgados pelo Banco de Portugal (BdP). No entanto, quando comparado com igual período do ano passado, essa subida foi mais ligeira e rondou um crescimento de 2,5%. 

A puxar por este aumento esteve o crédito automóvel. Só em outubro, os bancos concederam mais de 262 milhões de euros para a compra de carro, o que representa uma subida de 16% face a setembro, altura em que os valores atingiram os 225 milhões de euros. Ainda assim, esta subida na concessão de crédito ocorreram num mês em que as vendas de automóveis registaram uma queda de 9,1% – foram matriculados quase 18 mil veículos – corrigindo o aumento registado em meses anteriores, associado a uma antecipação de compras decorrente da transição para um novo ciclo de ensaios (WLTP), com impacto na medição das emissões de CO2.

Também o crédito pessoal contribuiu para este aumento. É o caso da categoria sem fins específicos – e onde se incluem, por exemplo, os empréstimos para a compra de férias ou de equipamentos para o lar – que registou uma subida mensal de 14,2%, para os 267,64 milhões de euros. No entanto, em termos homólogos, esse acréscimo foi de 0,5%.

Já a categoria de crédito pessoal com finalidade de educação, saúde ou energias renováveis, foi assinalado uma quebra mensal na ordem dos 8,6%, para os 10,50 milhões de euros. Mas termos homólogos, a tendência foi de subida: 31,8%.
No que diz respeito aos cartões de crédito, linhas de crédito, contas correntes bancárias e facilidades de descoberto, foram concedidos 98,4 milhões de euros, em outubro, 16,4% acima do verificado em setembro, e 3,8% superior ao mesmo mês de 2017.

No acumulado do ano, os bancos e as financeiras já disponibilizaram mais de seis mil milhões de euros em crédito ao consumo, o que representa um aumento de 12,4% acima do nível de concessão registado no mesmo período do ano passado.

Este aumento do crédito ao consumo continua a ocorrer, mesmo com a entrada em vigor das novas regras do Banco de Portugal em junho. A ideia da entidade liderada por Carlos Costa é simples: limitar a concessão de crédito por parte das instituições financeiras de forma a que as famílias apenas gastem metade do seu rendimento com empréstimos bancários e também que os bancos não assumam riscos excessivos nos novos créditos garantindo que os clientes tenham capacidade de pagar as dívidas. E essas restrições aplicam-se tanto no crédito ao consumo como no crédito à habitação. 
Para já, as regras sobre a limitação de crédito são apenas uma recomendação – ainda que os bancos que não as cumpram tenham de explicar porque não o fazem. Mas em maio, na Assembleia da República o governador avisou que se os bancos não as respeitarem, as regras poderão passar de recomendações a ordens vinculativas.