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Pan e Aliança: pegar o touro pelos cornos

As duas últimas novidades da política nacional são o novo partido de Santana Lopes, a Aliança, e a performance do PAN.

Santana Lopes já deu a conhecer o seu cabeça de lista às europeias, mas antes de o ter feito disse que hesitava entre dois perfis distintos: um ilustre desconhecido ou alguém conhecido das lides políticas e partidárias.

A escolha recaiu sobre Paulo Sande, um assessor do Presidente da República desconhecido do grande público. A escolha é muitíssimo arriscada e tem tudo para correr mal.

Em primeiro lugar porque, não sendo conhecido, será sempre visto como uma figura menor ao lado de Santana Lopes. Em segundo lugar porque, sendo assessor de Marcelo Rebelo de Sousa, terá de ser muito moderado e contido na sua ação política para não comprometer o Presidente. Em terceiro lugar porque, ao dizer que se mantém nessas funções, salvo o mês de campanha, transmite a ideia de que não quer correr riscos, não quer ficar sem o emprego e vai apenas ‘picar o ponto’ às eleições europeias. São tudo aspetos que retiram força e convicção à candidatura.

Segue-se que, ao não ser conhecido, tem cinco meses para passar a sê-lo. Ora, para o conseguir, precisaria dos media dia e noite a segui-lo ou fazer uma campanha de choque - coisa que a sua condição de funcionário presidencial impede. 

Os dois atos públicos de campanha que vi deixam muito a desejar. A apresentação da candidatura, num hotel, a um domingo, foi muito defensiva, escudada atrás de uns óculos de aros de massa preta e a ler uma declaração. Impossível reter uma ideia ou uma frase. 

A entrevista dada a um jornal diário esta semana mantém o mesmo registo cauteloso e defensivo. 

A continuar assim - e nada permite indiciar que mude -, vão restar-lhe os debates na TV, nas vésperas das eleições.

Falta ainda conhecer os candidatos do PS e do PSD (e antevejo aqui surpresa com duas novas candidaturas), mas tudo indica que a candidatura de Santana Lopes, da Aliança e de Paulo Sande se revele um ato falhado. 

Já o PAN é um exemplo de grande eficácia política e de comunicação avassaladora.

O PAN é uma criação autárquica de Lisboa: nasceu como grupo municipal e daí transitou com sucesso para a Assembleia da República, com a eleição de um deputado. No início, ninguém quase deu por ele, salvo as situações em que votou alinhado com o PS. Agora, com o aproximar de eleições, ‘saiu da casca’.

No último mês, apesar de o país estar a ferro e fogo com dezenas de greves, com hospitais e portos paralisados, só se escreveu nos media e nas redes sociais sobre touradas e provérbios sobre animais. Mérito de um só homem: André Silva, o deputado singular do PAN.

Se a política fosse uma tourada - e às vezes é -, já é possível ver quem agarrou o touro pelos cornos. 

sofiarocha@sol.pt