Internacional

Espanha. Ciudadanos não quer pacto andaluz com a extrema-direita

O partido de Albert Rivera quer negociar com os socialistas para que se abstenham na votação do governo


O Ciudadanos recusou incluir o Vox num acordo de coligação para o governo regional da Andaluzia. A liderança do partido liderado por Albert Rivera receia que a sua imagem fique prejudicada por alinhar com um partido de extrema-direita, colando-o a quem defende abertamente o franquismo e dificultando-lhe a captação do eleitorado socialista. Essa possibilidade não foi liminarmente rejeitada para o futuro. Por agora, as negociações entre o PP e o Ciudadanos foram adiadas entre quatro a oito semanas, atrasando a formação do governo. 

A liderança do Ciudadanos pretende avançar com um governo de coligação minoritário com o PP e apresentar um programa de governo no parlamento regional andaluz, esperando que os socialistas se abstenham. Para isso, Rivera quer integrar o PSOE no acordo com o PP dando-lhe  três lugares na mesa do parlamento regional. Todavia, os populares recusam incluir os socialistas e querem que o governo de coligação conte com a participação do Vox, criando fricções nas negociações com o Ciudadanos. 

Se o PSOE, que durante 36 anos governou a região autónoma ininterruptamente, o recusar e votar contra, então o Ciudadanos poderá incluir o Vox para formar um governo de direita com maioria absoluta, responsabilizando os socialistas por esse desfecho. 

O partido de Rivera decidiu recuar por o encontro na quarta-feira passada entre os líderes andaluzes Manuel Moreno Bonilla, do PP, e Francisco Serrano, do Vox, ter provocado a indignação dos andaluzes. A reunião também permitiu ao Ciudadanos recuar, visto o encontro ter sido realizado à margem do acordado entre o Ciudadanos e o PP: enquanto as negociações entre os dois partidos durassem estavam excluídas quaisquer conversações com terceiros. 

Os dois partidos da direita espanhola disputam a liderança do centro-direita não apenas na região, mas em todo o país. E a Andaluzia pode ser um primeiro passo numa eventual coligação de direita entre os três partidos a nível nacional. 

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