Internacional

Brexit e a economia: o que esperar no futuro?

A 23 de Junho de 2016 a população britânica votou a favor da saída do Reino Unido da União Europeia, uma decisão política que tem desde então sido capa de jornal e tópico principal nos noticiários televisivos diariamente. 

Com a sua data oficial de desagregação a 29 de março de 2019, o Reino Unido tem vivido dificuldades para assinar um acordo que satisfaça a população britânica e os membros do parlamento e até do próprio governo, e a União Europeia, sem comprometer a economia de nenhum dos lados.

Mark Carney, governador do Banco de Inglaterra, tem expressado a sua preocupação com a possibilidade do Reino Unido sair da UE sem um acordo estabelecido, adicionalmente, o tempo limitado até à oficialização do Brexit não permite um período de adaptação das indústrias britânicas às mudanças bruscas que poderão acontecer. Menos de metade das empresas no Reino Unido deram início a planos de contingência, o que pode influenciar de uma forma extremamente negativa a economia britânica dado que as indústrias e infraestruturas não estão preparadas para um Brexit sem acordo, segundo a informação fornecida por Carney à BBC Radio 4.

O governo britânico e o Banco de Inglaterra têm mostrado a sua preocupação com as mais recentes análises e previsões financeiras. A insegurança já gerou uma resposta nos mercados financeiros, com a valorização de várias ações em queda desde então, e entre elas, e os índices dos mercados financeiros estão em baixa, à medida que a incerteza se prolonga.

Desde o alarme dado pelo governador do Banco de Inglaterra os investidores têm perdido o apetite na economia britânica e reduzido o seu investimento em bolsa dada a instabilidade vivida, e sem um acordo na mesa para acalmar as preocupações, a situação poderá não ver grandes alterações no futuro próximo. Estima-se que a saída do Reino Unido da União Europeia possa custar aos cofres britânicos 40 mil milhões de libras, cerca de 46 mil milhões de euros apenas na forma de compromissos já contraídos pelo Reino Unido anteriormente à sua decisão de sair da UE. O acordo que teria sido proposto por Theresa May perante os membros do parlamento poderia ter um custo semanal à economia britânica de cerca de 615 milhões de libras (710 milhões de euros) nos próximos 16 anos, até á estabilização económica do Reino Unido que não está prevista acontecer até 2034.

Dezembro já trouxe algumas novidades chocantes para as negociações do Brexit, com a primeira ministra britânica, Theresa May, a cancelar a votação dos deputados sobre acordo alcançado com a EU, já que uma derrota do seu plano de Brexit na câmara dos comuns era o cenário mais do que esperado. Como consequência May voltou assim a Bruxelas novamente para tentar obter alterações ao acordo proposto. Um dos maiores conflitos acerca do acordo que viria a ser apresentado no parlamento britânico envolve a solução para fronteira entre a Irlanda do Norte (parte integrante do Reino Unido) e a República da Irlanda (Estado-membro da União Europeia).

Ambos os lados querem evitar a todo custo uma fronteira física entre os dois países, com receios de que isso cause uma quebra no Acordo de Belfast, alcançado em 1997, que leve ao reacendimento dos conflitos entre republicanos e unionistas. Para os brexiteers mais fervorosos a solução encontrada “acorrenta” o Reino Unido à União Europeia por tempo indefinido e exigem mais garantias, mas o Presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, já deu claramente a entender que os restantes 27 países europeus não iriam considerar uma renegociação do acordo. O adiar da conclusão do acordo tem certamente criado algum stress nos bancos britânicos, que se manifestam cada vez mais preocupados com o impacto geral do Brexit na economia britânica.

O Banco de Inglaterra lançou estatísticas sobre a tendência da variação do PIB (produto interno bruto) antes e depois da votação do Brexit. As previsões anteriores ao referendo mostram um crescimento do PIB de 5% a cada 3 anos, com uma expectativa de crescimento de 15% entre 2016 e 2024. No entanto, com os resultados do referendo, o Banco de Inglaterra prevê uma queda significativa no produto doméstico bruto nacional, que poderá necessitar de 3 anos até recuperar o decréscimo de 8% no PIB, causado pela saída do Reino Unido da União Europeia sem um acordo. Segundo Mark Carney, o Reino Unido entrará numa época económica mais pobre com a implementação do Brexit, independentemente do acordo alcançado. Os impactos económicos começam a observar-se nos mercados financeiros, e isto é perfeitamente ilustrado nas oscilações no mercado da bolsa de valores londrina.