Economia

Fatura pública com ajudas para salvar banca continua a aumentar

Balanço do Tribunal de Contas garante que, entre 2008 e 2017, os apoios aos bancos em Portugal já custaram 16.751 milhões de euros

O sistema financeiro parece querer suspirar de alívio, mas a fatura que os portugueses pagaram e continuam a pagar para salvar a banca é elevada. De acordo com os dados mais recentes do Tribunal de Contas (TdC), as ajudas à banca ultrapassaram, entre 2008-2017, os 16,7 mil milhões de euros.

Mais: De acordo com o “Diário de Notícias”, o crescimento da economia está muito longe de conseguir acompanhar o aumento nos prejuízos relacionados com os apoios públicos deste setor. A verdade é que o Tribunal refere mesmo que o governo se viu obrigado a ir endividar-se aos mercados para poder ‘dar a mão’ a estas entidades, que tiveram de ser apoiadas, resgatadas ou nacionalizadas.

A somar a isto está ainda o facto de alguns buracos parecerem não ter fundo. A conta do BNP, por exemplo, de acordo com o TdC, está ainda longe de estar paga. “A Parvalorem, a Parups e a Parparticipadas [sociedades que ficaram com ativos do antigo banco] apresentaram, no final do ano passado, capitais próprios negativos que totalizavam 1 716 milhões de euros, encargos que poderão vir a ser suportados pelo Estado no futuro”.

Recorde-se que, para próximo ano, o Ministério das Finanças pediu que fosse autorizada uma despesa de 885,8 milhões de euros para gastar no sistema financeiro. Neste caso, apresentam-se dois bancos falidos: 337,6 milhões de euros para veículos relacionados com o Banif e 548,2 milhões para as sociedades do antigo BPN.

Pesos pesados Recorde-se que, a meio deste ano, os alarmes já tinham disparado com os valores que tinham sido usados nas ajudas à banca. Pedro Amorim, analista da XTB, chegou mesmo a garantir ao i que, nos últimos anos, as operações de capitalização dos bancos chegaram aos 23,7 mil milhões de euros. “Para termos a noção deste número, foram 23 pontes Vasco da Gama”. Um número que leva o economista a admitir que a banca “já não é viável” e lembra: “Quando os bancos têm lucros distribuem dividendos, quando têm prejuízos é o Estado que resolve”, refere ao Pedro Amorim.

E foi em 2017 que se assistiu a uma das maiores sobrecargas de ajudas à banca, com a operação de recapitalização da Caixa Geral de Depósitos (CGD). A necessidade de financiamento “extraordinária” do banco público fixou-se nos 5709,4 milhões de euros, o que conduziu a uma subida do défice de 0,92% para 3%. Falamos de um montante que apenas tinha sido superado quando se deu a falência do Banco Espírito Santo (BES), em 2014. O ano em questão foi, aliás, durante muito tempo considerado o pior ano no que diz respeito às ajudas dos contribuintes para o sistema financeiro. Nessa altura, as ajudas superaram 5,1 mil milhões de euros e o défice orçamental do ano disparou para 7,2% do PIB.

O terceiro ano em que os portugueses foram chamados para pagar mais à banca foi em 2010, quando o Estado decidiu intervir no Banco Português de Negócios com 1,8 mil milhões de euros.

Ainda assim, importa dizer que, nos primeiros meses do ano, os principais bancos regressaram aos lucros.