Politica

2019, o ano decisivo para rio

A tensão interna no PSD diminiu na reta final do ano de 2018, mas há quem antecipe uma catástrofe eleitoral em 2019. Ângelo Correia aconselha o líder a apostar na classe média.

O ano de 2019 será crucial para o futuro do líder do PSD com três atos eleitorais pela frente: as europeias, as legislativas e as regionais da Madeira. Em todas elas há o risco de o PSD perder terreno, até mesmo na Madeira onde a direção nacional do partido não terá responsabilidades diretas. No passado dia 24, Rui Rio esteve num centro de acolhimento de crianças no Porto e fez os tradicionais votos de Ano Novo. Pormenor: não elencou a vontade de ser primeiro-ministro no próximo ano.

O reparo foi feito pelos jornalistas e Rio corrigiu o tiro, insistindo que o partido estará pronto para discutir «taco a taco» com os socialistas as legislativas de 6 de outubro.  No PSD, o sentimento é de «aparente acalmia, mas de descrença total nos resultados», descreveu ao SOL  um deputado. O anonimato do parlamentar  revelou o receio de já não fazer parte das listas em 2019, mas também evidencia os temores de outros colegas de bancada e de partido sobre uma eventual «catástrofe eleitoral» em 2019, conforme confidenciou ao SOL  um ex-responsável social-democrata.

Dois antigos dirigentes do partido e atuais membros do Conselho de Estratégia Nacional do PSD  preferem fazer o discurso de que há espaço para o PSD subir e ter um bom resultado.«Seis meses em política é uma eternidade», frisou ao SOL  Silva Peneda, antigo presidente do Conselho Económico e Social. O próprio reconhece que, se as legislativas fossem hoje, o «PSD não ganhava as eleições», mas ainda há tempo para alterar  este prognóstico. «Se o PSD conseguir conjugar uma posição muito coerente, e julgo que o líder do partido é capaz de fazê-lo, em relação à sua matriz de valores,  ter uma mensagem adequada em relação àquilo que foi feito de  errado [pelo atual Governo] até agora, tem condições para se bater nos próximos atos eleitorais com o Partido Socialista». Para o também antigo governante, o país não fez reformas estruturais e as condições excepcionais – com juros mais baixos e o aumento do turismo – não vão repetir-se no futuro. Assim, deixa o conselho a Rui Rio para realçar os problemas e tentar fazer a passar a mensagem.

No mesmo registo, Ângelo Correia acredita que o «PSD pode recuperar e posicionar-se como um partido que disputa as eleições de 2019 em condições boas, desde que se verifique aquilo que talvez nas últimas semanas se constatou, ou seja, uma redução muito séria, muito sensível, das suas tensões internas». O antigo ministro da Administração Interna, que tem a pasta  da Defesa no Conselho de Estratégia Nacional, reconhece as dificuldades nas entrelinhas, mas dá a receita ao líder do partido para o próximo ano: «Desde que o PSD consiga, na comunicação social, fazer chegar aos eleitores um conjunto de propostas sobre o que pretende fazer no âmbito da sua governação, pode encontrar forte adesão  por parte, sobretudo, da classe média».  A análise do antigo dirigente não se resume à estratégia, mas também ao cenário de dispersão de votos no espaço político do partido. «É preciso que base eleitoral que sempre votou no PSD perceba que a emergência de pequenos partidos, que à custa dele se desejam afirmar no espectro político português, não tem qualquer valor». A frase é dura mas revela o que muitos pensam no PSD. Os partidos pequenos a que Ângelo Correia se refere são a Aliança, criada este ano pelo ex-líder do partido Pedro Santana Lopes, o movimento Chega, de André Ventura, mas também o CDS, que procura afirmar-se como a alternativa no centro-direita, depois de ter sido parceiro do PSD.

Do lado da direção do PSD, o vogal da comissão política André Coelho Lima prefere fazer um discurso mais genérico. «O ano de 2019 é decisivo é para o país. Quando estamos a fazer reflexões sobre o ano vindouro, acho que as pessoas têm de fazer uma avaliação, não sobre o avaliação do atual do Governo, mas sim sobre o Governo que querem para o seu futuro». E não se comprometeu com prognósticos para 2019.

O próprio líder admitiu em setembro que só sairá se tiver uma derrota muito pesada nas legislativas. «Se ganhar as eleições por largo, ou por pouco, é completamente diferente de perder por uma margem substancial», afirmou na altura numa entrevista à TSF.  Mas, no PSD, as contas internas começarão antes, em maio, com o resultado das europeias. A margem de erro é curta e os sociais-democratas  admitem, em surdina, perder um dos seus seis eurodeputados, possivelmente para o novo partido de Santana Lopes. Que já escolheu Paulo Sande como cabeça lista.

Se o PSD perder mais deputados nas europeias, o cenário de tensão será imprevisível, mas há quem antecipe que a única consequência será a completa desmobilização do partido para as Leigislativas. 

Nas europeias, Rui Rio ainda não abriu o jogo sobre quem será o cabeça de lista, mas a convição entre dirigentes e militantes ouvidos pelo SOL é a de que Paulo Rangel acabará por ser o escolhido como recandidato número um da equipa. Outros nomes têm sido apontados como hipóteses para cabeças de lista, como o de Carlos Moedas, comissário europeu que já manifestou vontade de regressar a Portugal, Miguel Poiares Maduro, ex-ministro-adjunto de Passos Coelho, ou Paulo Mota Pinto, ex-deputado e antigo juiz do Tribunal Constitucional. Mota Pinto fez, aliás, a defesa da proposta dos sociais-democratas na recomposição do Conselho Superior do Ministério Público.

Na Madeira também se irão realizar eleições regionais, mas o caso é diferente. O PSD-Madeira, liderado por Miguel Albquerque,  pode perder terreno, porque, pela primeira vez, a maioria absoluta está em risco.  Em todo o caso, qualquer leitura política sobre  os resultados eleitorais será sempre regional.