Sociedade

Obras. Lisboa e Porto continuam o seu (re)desenho

A viragem de ano traz novas obras nas cidades, e com elas mais pó, ruído, trânsito e confusão. Em Lisboa, será a conclusão de alguns projetos e o início de outros, não só na frente ribeirinha, também no centro. No Porto, estão prometidos alguns estaleiros há muito esperados, com destaque para a requalificação do Pavilhão Rosa Mota.

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Lisboa


Plano Geral de Drenagem

O projeto remonta a 2015 e tem como objetivo evitar as cheias através da construção de dois túneis: Monsanto-Santa Apolónia e Chelas-Beato. A obra, apesar do percalço que sofreu em dezembro – nenhuma das propostas apresentadas no concurso de adjudicação foi aceite pela CML, obrigando a autarquia a abrir novo concurso – sai do papel este ano, como previsto. Ao SOL, a CML garante que «um novo concurso internacional será lançado brevemente, por forma a começar as obras em 2019». Espera-se perturbações em pontos da Avenida da Liberdade, Rua de Santa Marta, Avenida Almirante Reis e Santa Apolónia e em zonas localizadas de Chelas e do Beato.

Ponte 25 de Abril

O ano que agora começa não traz um futuro risonho para a mobilidade numa das principais e mais concorridas entradas da capital: a Ponte 25 de Abril vai sofrer obras de reparação e conservação. O calendário das obras já é conhecido e felizmente os inconvenientes causados no trânsito não se vão prolongar por longos períodos, mas nas datas em que as intervenções vão ter lugar, a via estará mesmo cortada. Os obras vão decorrer em quatro fins de semana – 11 e 12 de maio, 18 e 19 de maio, 12 e 13 de outubro, e 19 e 20 de outubro –, durante a noite, levando ao corte total das vias de circulação num dos sentidos.

Martim Moniz

Foi em novembro que as pretensões para a nova praça do Martim Moniz foram conhecidas, perante uma audiência de moradores e lisboetas descontentes: no lugar dos quiosques, recentemente fechados, os concessionários do mercado querem colocar contentores com restaurantes e lojas. Por sua vez, os moradores pedem um espaço verde onde possam relaxar. Os promotores cederam e não faltará verde na nova praça, cujas obras deverão arrancar este mês. O novo projeto contempla também um parque infantil no extremo da praça junto ao Hotel Mundial.

Torre de Picoas

Situada na Avenida Fontes Pereira de Melo, é uma obra fraturante no urbanismo da cidade, que tem marcado a atualidade e está até no centro de uma investigação do Ministério Público. Polémicas à parte, 2019 é o ano em que a construção da Torre de Picoas chega ao fim. À primeira vista, o edifício de 17 andares já parece terminado, mas na verdade ainda há pontas soltas e acabamentos a fazer no interior. Projetado pelos arquitetos  Patrícia Barbas e Diogo Seixas Lopes, a torre destina-se a ser ocupada por escritórios.

Miradouro de Santa Catarina

Foi em julho que a autarquia anunciou que o miradouro ia ser alvo de uma intervenção, passando a ser vedado e o acesso sujeito a horário. O anúncio foi recebido com alegria por uns e protestos de outros, mas apesar da controvérsia, certo é que a CML vai avançar este ano com o redesenho do miradouro, onde, até à instalação da vedação, acorriam dezenas de pessoas para conviver. O projeto do ateliê Proap mostra que o miradouro vai ter não apenas uma vedação – com dois metros de altura – mas duas: será colocada outra, de menor dimensão, na zona relvada.

Parque Ribeirinho Oriente

O aguardado jardim com cerca de 90 mil metros quadrados e que se vai estender ao longo de 1,3 quilómetros na zona oriental da cidade – entre a Doca do Poço do Bispo e a marina do Parque das Nações – deverá ver este ano concluída a primeira fase. A par da mancha verde, o projeto das arquitetas Filipa Cardoso de Menezes e Catarina Assis Pacheco – que corresponde a um investimento de 3,85 milhões de euros, inclui esplanadas, uma ciclovia e uma biblioteca. 

Prolongamento do Metro

Será um ano profícuo em túneis: além dos de drenagem, o metro terá novos caminhos, com duas novas estações (Estrela e Santos) e a criação de uma linha circular, ligando-se a atual linha verde a parte da linha amarela – projeto contestado por muitos. O Estudo de Impacto Ambiental alerta que a obra «implica um forte congestionamento no trânsito das vias próximas das frentes de obra». Onde? Na Avenida 24 de Julho – para carros, comboios e elétricos, com os desvio das linhas –, Rua Cintura do Porto de Lisboa, Avenida Álvares Cabral, Praça da Estrela, Rua Miguel Lúpi, Avenida Dom Carlos I, Cais do Sodré e Campo Grande (junto ao Terminal Rodoviário).

Praça de Espanha

O rosto de uma das principais praças da cidade vai mudar: as obras vão dar à praça com o nome do país vizinho um jardim de grandes dimensões, novos edifícios e um sistema viário com uma nova configuração que inclui supressão de vias. O concurso público foi lançado e a previsão era de que as obras nos primeiros meses do ano, mas a autarquia ainda não divulgou a proposta eleita. Apesar disso, parece não haver atrasos: ao SOL, a autarquia confirma que as obras começam neste primeiro semestre como agendado.

Centro Cultural de Belém

O concurso internacional para a cedência dos terrenos por construir do CCB – que espera conclusão há já 25 anos, quando foi inaugurado com os três primeiros módulos e o quatro e o quinto no papel – foi anunciado em novembro, oficializando a conclusão do espaço. Os dois novos módulos vão receber uma galeria comercial e um hotel e tudo terá de estar concluído até 2022. O concurso decorre até fevereiro, o que significa que daí até ao fim do ano restam 10 meses para o arranque das obras que prometem transformar a zona de Belém num estaleiro.

Operação Integrada de Entrecampos

Nos terrenos da Feira Popular, vai nascer um centro empresarial que deverá albergar 15 mil pessoas, 279 fogos destinados a habitação, comércio e espaços ajardinados. No fim de 2018, a autarquia conseguiu – depois de a hasta pública ter sido várias vezes adiada por suspeitas de ilegalidades por parte do MP – vender os terrenos, que foram comprados pela Fideldade por cerca de  274 milhões, 86 milhões acima do preço-base. Será pelo menos em 2019 que a CML vai emitir os licenciamentos – de forma «expedita», assegurou Medina – para que as obras arranquem. Quanto à data do lançamento da primeira pedra, dependerá das licenças.

Hub Criativo do Beato

O Hub Criativo do Beato tem este ano um futuro risonho: a autarquia quer adquirir o que falta do espaço onde durante 120 anos a Manutenção Militar funcionou, produzindo as refeições para as forças armadas portuguesas e para isso tem reservados 20,3 milhões de euros. O objetivo é transformar a imponente fábrica num espaço de empresas, onde não falta lugar para tecnologia mas também para eventos culturais. O primeiro projeto conhecido, uma centra de produção de cerveja da Super Bock, será inaugurado em outubro.

Hospital CUF Tejo

Imponente e polémico, este edifício está localizado numa das zonas mais cobiçadas da cidade. Se tudo correr bem, os 75 mil metros quadrados do Hospital CUF Tejo, distribuídos por um total de nove pisos – seis à superfície e três subterrâneos – ficarão concluídos este ano. São boas notícias para a saúde e para o privado, mas a obra vai trazer perturbações ao tráfego nas vias circundantes que não vão agradar a quem cruza diariamente a Avenida 24 de Julho, a Avenida da Índia ou Avenida Brasília, estando mesmo prevista a remodelação do sistema viário.

Porto

Pavilhão Rosa Mota 

Em 2019 ficará pronto o Pavilhão Rosa Mota, cujas obras de recuperação arrancaram em 2018. «Em mau estado há muitos anos, o antigo Pavilhão de Desportos, depois batizado com o nome da atleta olímpica, ganhará valências Multiusos, passando a poder receber congressos de média/grande dimensão, espetáculos musicais, exposições e eventos desportivos», diz a Câmara do Porto. O investimento é totalmente privado, em que as obras de reabilitação estão avaliadas em oito milhões de euros. Apesar do nome se manter como Rosa Mota, o concessionário poderá acrescentar outro nome para efeitos de comercialização.

Terminal Intermodal de Campanhã

«Prometido à cidade em 2003», recorda a Câmara, «o terminal que fecha o sistema de mobilidade da zona oriental da cidade nunca foi construído, junto à Estação da CP de Campanhã existe já linha de Metro, além da ligação à principal rede de comboios do país». No entanto, ficou a faltar o terminal rodoviário que «fechará o ciclo com uma estação de camionagem que irá também aliviar a cidade da pressão deste tipo de transporte e o terminal interligará com equipamentos importantes a conceber para esta zona, nomeadamente com o Matadouro e uma nova ponte a ser construída». 

Matadouro de Campanhã 

Este ano arranca o início da reconversão do Matadouro de Campanhã. A obra já foi adjudicada, «mas aguarda ainda visto do Tribunal de Contas». O investimento é privado e ronda os 40 milhões de euros. O antigo Matadouro do Porto, em Contumil, na freguesia de Campanhã, é considerado por Rui Moreira «como um dos investimentos mais importantes do mandato, absolutamente crucial para o desenvolvimento de toda a zona oriental da cidade», até porque «aí haverá espaço para empresas inovadoras e atividades culturais e sociais».

Nova linha do Metro 

Uma nova linha do Metro do Porto irá ligar a Casa da Música (Boavista) à estação de São Bento, na Baixa. «Esta linha foi a que maior procura apresentou nos estudos e a que irá permitir aliviar o troço central da Linha Amarela, já atualmente muito saturada», diz a câmara, acrescentando que «as obras deverão começar em 2019, terão a duração de dois anos e implicarão alguns constrangimentos de trânsito, apesar de ser totalmente enterrada».  A autarquia lembra que a «a obra é essencial para densificar a oferta de transporte público na cidade e tornar possíveis novas abordagens de trânsito e mobilidade». 

Realojamentos do Bairro do Aleijo

«É um fim de uma triste história, a do Bairro do Aleixo, concebido num tempo em que se acreditava que a construção em altura podia funcionar para a habitação social, o bairro foi-se degradando durante décadas e tornou-se num conhecido centro de tráfico de droga», diz a autarquia. O anterior presidente de Câmara avançou através de um fundo privado, mas quando Rui Moreira tomou posse, este estava à beira da extinção. «O presidente encontrou novo investidor e avançou com novo contrato que irá permitir resolver, sem prejuízo para a Câmara, o enorme problema encontrado».

Bairro Rainha Dona Leonor

Considerado «um dos cancros urbanísticos da cidade, com os seus velhos e ‘provisórios’ blocos, revestidos a amianto», este será o ano requalificação do bairro Rainha Dona Leonor. Um programa lançado pelo executivo de Rui Moreira no mandato anterior permitiu dividir o terreno existente, aumentar a capacidade construtiva e colocar a concurso um sistema que manterá todos os inquilinos municipais no local, já que «ao lado, o promotor privado fará habitação para venda e com isso financiará a construção da habitação social», avança o executivo portuense. Segundo a autarquia «as casas serão entregues no início do ano».

Liceu Alexandre Herculano a marcar passo

A requalificação do Liceu Alexandre Herculano está comprometida depois de quinta-feira ter ficado a saber-se que o concurso público não teve concorrentes, apesar de 14 interessados, por o preço de sete milhões de euros proposto pela Parque Escolar ser demasiado baixo. Em 2011, o Estado havia projetado 14 milhões de euros para a obra. Daí a Câmara do Porto ter dado indicação ao Ministério da Educação de «estar disponível» para uma nova solução, desde que não onere mais o orçamento municipal, até porque «a câmara não tem qualquer competência» no ensino secundário.

Melhor mobilidade

Em 2018 foi adjudicado um moderno sistema de gestão de controlo de tráfego, um investimento de 10 milhões de euros, permitindo gerir remotamente os semáforos. «O sistema atual está desatualizado e o contrato que a cidade herdou terminava em 2017», reconhece a Câmara do Porto, explicando que «uma ação de um dos concorrentes em tribunal, com efeitos suspensivos, impediu a implementação do sistema já em 2018». A câmara espera avançar em 2019. Em curso estão já as obras na Avenida Fernão de Magalhães, que «a tornarão num modelo inovador de transporte público e mobilidade no país».