Internacional

França. Confrontos com a polícia marcaram regresso dos coletes amarelos em 2019

Mais de 50 mil manifestantes marcharam pelas ruas de Paris no sábado. Macron desvalorizou

Os coletes amarelos regressaram este sábado, pela oitava semana consecutiva, às ruas francesas em protesto contra o governo do presidente francês, Emmanuel Macron, poucos dias depois deste os ter atacado no discurso de ano novo, tentando-os colar à extrema-direita: “Alguns usam o pretexto de falarem em nome do povo - mas qual povo, de onde? Como? Não sendo mais do que porta-vozes de uma multidão odiosa, que ataca os eleitos, as forças da ordem, os jornalistas, os estrangeiros, os homossexuais, são simplesmente a negação da França”. E, ignorando as motivações dos manifestantes, Macron, apelidado de “presidente-banqueiro”, reafirmou a necessidade das suas reformas e afirmou: “Não podemos trabalhar menos, ganhar mais, cortar impostos e aumentar a despesa”. O movimento opõe-se à subida do custo de vida e aos aumentos da carga fiscal que Macron tem feito desde que chegou ao Palácio do Eliseu, há 18 meses atrás, não esquecendo as reformas laborais que promoveram a precariedade e os baixos salários.  

Palavras que terão contribuído para que o número de manifestantes tenha subido este sábado - 50 mil manifestantes em todo o país, aumento de 32 mil face ao sábado anterior ao Ano Novo. O fim da época natalícia e de final de ano também terão contribuído.

Os coletes amarelos começaram a marchar pacificamente em Paris, gritando insultos a Macron e ao governo, mas os ânimos subiram rapidamente de tom e confrontos com a polícia de choque começaram aqui e ali, com carros e caixotes de lixo queimados a preencherem a paisagem. A polícia, entre os avanços e os recuos da relação de forças, tentava reprimir os manifestantes, mas sem sucesso. 

Já Macron, acusado de arrogância, preferiu desvalorizar os protestos e, pelo meio, criticar os coletes amarelos. “Cinquenta mil são um pouco mais do que uma pessoa por comuna em França. Essa é a realidade do movimento dos “coletes amarelos” hoje. Pode-se ver que não é um movimento representativo”, escreveu no Twitter. Depois, acusou os coletes amarelos de “violência extrema” contra a República, assegurando que “justiça será feita”. 

Os manifestantes chegaram ainda a cercar o porta-voz do governo, Benjamin Griveaux, na sede do seu ministério, obrigando-o a fugir por uma porta dos fundos, e a destruírem a porta com um empilhador. “Não sou eu o alvo, é a República”, disse à AFP, já protegido por agentes. Na sexta-feira, Griveaux tinha acusado os manifestantes de serem “agitadores que querem a insurreição e, basicamente, derrubar o governo”.