Internacional

Brown tinha sido condenada a prisão perpétua aos 16 anos. Quinze anos depois, foi perdoada

A história de Brown correu o mundo e chamou a atenção de muitos advogados e celebridades

Cyntoia Denise Brown foi condenada a prisão perpétua por matar o homem que pagou para ter sexo com ela quando tinha apenas 16 anos. Quinze anos depois, o governador do Tennessee (EUA) concedeu-lhe clemência.

 De acordo com um comunicado do gabinete de Bill Haslam, citado pela imprensa norte-americana, Brown sairá em liberdade condicional no dia 7 de agosto. “Esta decisão surge depois de uma reflexão minuciosa deste caso trágico e complexo”, refere a nota.

 “Cyntoia Brown admitiu que, aos 16 anos, cometeu um crime horrível. No entanto, impor a prisão perpétua a uma jovem daquela idade implica que tenha de esperar pelo menos até aos 51 anos para pedir a liberdade condicional e isso parece-me demasiado duro, principalmente tendo em conta os passos extraordinários que a Sra. Brown deu para reconstruir a sua vida. A transformação deve ser acompanhada pela esperança”, lê-se no comunicado emitido esta segunda-feira.

O caso de Brown chamou a atenção dos mais respeitados advogados norte-americanos e de muitas celebridades mundialmente conhecidas: a comediante Amy Schumer, a socialite Kim Kardashian, a cantora Rhianna e a atriz Ashley Judd foram algumas das figuras públicas que pediram clemência para Brown.

Autodefesa ou roubo?

Tudo começou em 2004. Johnny Mitchell Allen pagou para levar Brown, na altura com 16 anos, para sua casa e ter relações sexuais com a adolescente. De acordo com a tese do Ministério Público, Brown disparou contra Allen quando este estava a dormir, roubou o dinheiro e as armas que este tinha em casa e usou a sua carrinha para fugir do local.

Os procuradores defenderam na altura que o crime não tinha por base a autodefesa, mas sim o roubo dos bens. Brown admitiu o crime de homicídio, mas disse que o fez para se defender de Allen, descrevendo o seu comportamento como “violento”. Para além disso, revelou que, na altura da fuga, tinha levado algum dinheiro consigo porque tinha medo de regressar para junto do seu proxeneta – conhecido como Cut Throat (garganta cortada em português) - de mãos vazias.

O tribunal de menores considerou que Brown poderia ser julgada como adulta. Foi condenada a prisão perpétua pelos crimes de roubo e homicídio.

Quem é Cyntoia Denise Brown?

O documentário Me Facing Life: Cyntoia's Story, lançado em 2011, mostra que Brown foi forçada a entrar no mundo da prostituição quando era ainda uma criança.

No filme, a jovem fala sobre o comportamento agressivo do seu proxeneta: “A primeira vez que ele me magoou foi quando me apertou o pescoço e eu desmaiei. Eu dava-lhe dinheiro... Ele não me ia deixar ir a lado nenhum. Disse-me que me matava se o fizesse”.

Para além disso, o documentário revela indícios que sustentam que Brown sofreu desordens do espectro alcoólico fetal, que podem provocar lesões cerebrais graves. Este problema surge quando a mulher consome muito álcool durante a gravidez, um comportamento que a mãe de Cyntoia Denise Brown admitiu ter tido. O júri que condenou a jovem adolescente nunca teve acesso a estas informações, descreve o documentário.

Uma nova vida

Desde que foi condenada, Brown deu vários passos dentro da prisão para mudar a sua vida. De acordo com os seus advogados, ajuda a orientar as prisioneiras que acabaram de chegar à cadeia, dá-lhes conselhos, estudou para tirar um curso superior (que concluiu em 2015) e planeia abrir uma organização sem fins lucrativos para ajudar jovens que passem por uma situação semelhante à sua.

“Percebi que a minha vida ainda não acabou. Posso criar coisas para mim e ao mesmo tempo ajudar os outros”, disse durante o documentário Prison Reflections.