Opiniao

America Great Again: O Presidente Trump é mesmo “ a very stable genius”

1.Ao contrário dos profetas da desgraça que presentemente pululam nos órgãos de comunicação social norte-americana (replicando fenómeno à escala global), a democracia americana tem mostrado à exaustão a sua força e vitalidade.

A capacidade de o sistema político federal norte-americano  honrar os seus compatriotas que exerceram funções políticas cimeiras – designadamente que lideraram os seus destinos colectivos, como Presidentes e Comandantes Supremos das Forças Armadas – é absolutamente fascinante. Um exemplo para o mundo democrático.

 O ano, cujo término ocorreu há escassos dias, ficou marcado pelo fim da passagem terrena do Presidente George H.W. Bush, o 41.º líder político dos EUA – uma personalidade que, não obstante as vicissitudes do seu mandato único,  ficará nas páginas luminosas da história da Nação norte-americana. Há quem afirme que George H.W. Bush constitui, juntamente com o Presidente Bill Clinton, a personificação da “América feliz”, por contraponto (limitando-nos ao século XX) à “América em ansiedade bélica”, compreendendo o período de Woodrow Wilson até Ronald Reagan – e à “América em crise de identidade” (de George W. Bush em diante).

Esta divisão assente em estados psicoafectivos colectivos dos americanos peca sempre por um excessivo voluntarismo na percepção e um défice de rigor na análise; no entanto, George W.Bush não ficando na História como um líder político apaixonante ou particularmente empático, será certamente recordado como um Presidente respeitado por todos os americanos. Talvez seja, isso sim, o último Presidente norte-americano consensual – com o que tal implica em termos positivos e…em termos negativos.

2.E das homenagens justíssimas prestadas ao 41.º Presidente dos EUA ressalta a imagem de cordialidade e respeito – não apenas institucional – entre o Presidente Donald Trump  e o ex-Presidente Barack Obama. Discordância política não significa falta de decoro perante protagonistas e símbolos que honraram a bandeira dos EUA, que integram a sua ilustre história – e cuja legitimidade decorreu e decorre da vontade do povo, o único e verdadeiro titular da soberania.

O Presidente Trump revelou que é um verdadeiro líder político e um homem com um inexcedível sentido de Estado – e o Presidente Obama, por seu turno, evidenciou que, não obstante os seus erros de percepção (e acção) política (pense-se na forma como se deixou ludibriar pelo Irão), é, na sua essência, um patriota.

Os democratas deveriam, pois, inspirar-se no exemplo de patriotismo e seriedade do Presidente Obama – e alterar a sua estratégia de oposição à administração em exercício de funções.

3.Mas não se inspiraram. E a prova é a postura do Senador Chuck Schumer e da Representante do oitavo distrito de São Francisco (Califórnia), a democrata sempre controversa, Nancy Pelosi na negociação do orçamento federal: mais especificamente no que tange ao reforço das verbas para a segurança nacional.

Os democratas persistem em não ver o óbvio: o povo americano quer o reforço da barreira de protecção da sua fronteira no sul, vulgarmente apelidado na retórica política de “the Wall”.

Os americanos querem um “giant and beautiful Wall” que os proteja – quer sejam os americanos do Texas, da Califórnia, do New Mexico, do Arizona ou de qualquer outro estado – da imigração ilegal e dos riscos que a mesma comporta.

Até porque, desde logo, a imigração ilegal é um atentado à democracia, pela simples razão de que as leis de imigração são aprovadas pelos representantes do povo dotados de legitimidade democrático.

São produto da vontade da maioria –ora, se as leis aprovadas pelo processo democrático não passam de uma farsa, revelando-se sempre prontas para serem desafiadas por quem com elas não concorde, então a democracia não passa de uma fachada.

De um lirismo para justificar a manutenção do poder de alguns à custa de todos. Numa frase: a democracia não passará de uma ditadura devidamente maquilhada.

E, de forma extraordinária, o povo americano mostrou a sua genialidade e activismo:  o  veterano do exército norte-americano, Brian Kolfage, lançou uma campanha no “GoFundme”, tendo já angariado alguns milhões de dólares para a construção do muro. Isto é: o povo, o eleitorado do Presidente, a mobilizar-se para o ajudar no seu braço de ferro com o Congresso! Isto é também o “American Dream”!

4.Pois bem, o Presidente Trump mostrou que dá lições de “postura de Estado” a qualquer outro líder político, americano ou internacional. Como?

Fazendo o que todos deveriam fazer – e ninguém o faz (salvo honrosas excepções): cumprir as promessas formuladas na campanha eleitoral. Promises made, Promises Kept.

O candidato Donald Trump prometeu ao povo americano o reforço da segurança fronteiriça, com a mobilização de recursos materiais, tecnológicos e humanos para as zonas onde o controlo daqueles que ingressam em território dos EUA se tem revelado mais problemático – eis, pois, o que o Presidente Trump está fazendo.

 Aqueles que julgavam que o Presidente Trump estava derrotado em virtude de uma vitória de pirro dos democratas na Câmara dos Representantes (que não no Congresso e, logo, não nas intercalares), têm agora a oportunidade de constatar, ao vivo e a cores, que estavam redondamente enganados: o Presidente dos EUA não hesitará em utilizar todos os mecanismos constitucionais (o que inclui, hoje, naturalmente o poder mediático, abrangendo as vias alternativas à comunicação social desonesta) para não faltar à sua palavra com o povo americano.

Por isso, o Presidente Trump se dirigiu aos americanos na passada terça-feira, explicando que será intransigente na exigência do reforço da segurança na fronteira. Por isso, o Presidente Trump visitou, ontem, a fronteira dos EUA, no estado do Texas, contactando com agentes locais e aferindo os problemas que aí se verificam in loco.

Por isso, o Presidente Trump continuará a não viabilizar um Orçamento Federal que descure a segurança interna e não responda aos anseios do povo americano neste particular.

5.No fundo, qual é a estratégia do Presidente Trump? Passa por manter a “upper hand”, a superioridade negocial – está tudo no “The Art of the Deal”, o que só prova a coerência e a estabilidade do Presidente Trump.

Isto é, Trump percebe que os democratas se encontram numa situação muito delicada, porque, por um lado, acusam Trump de utilizar o medo, mas, por outro, reconhecem que a segurança interna (e, em especial, o reforço das fronteiras) é uma prioridade nacional. Ora, se é uma prioridade nacional porque mantêm a recusa de financiar o reforço da barreira física e de meios tecnológicos?

Fácil: porque viabilizar a dotação orçamental para a segurança interna seria dar uma vitória retumbante ao Presidente Trump, que, praticamente, garantiria a sua reeleição em 2020. E, consequentemente, seria uma rendição completa dos democratas, que teriam de começar a pensar nas eleições de 2024.

Donde, Nancy Pelosi e Chuck Schumer tentam, ao não viabilizar a pretensão da Administração (e do povo americano) , ganhar tempo para ver se a situação política se torna mais favorável para os democratas…O que inclui naturalmente a espera pela emergência de uma figura que se assuma como o adversário democrata do Presidente Trump nas próximas presidenciais. 

6.Acresce que o “shutdown” até joga a favor da narrativa política do Presidente Trump. Porquê?

Porque confirma, e acentua, que o Presidente é um “doer”, alguém que quer realizar obra, que pretende dar resposta aos problemas do país – por contraposição a um Congresso que apenas fala, que bloqueia, mas não propõe.

 É o Presidente dos EUA contra o “swamp” – ora, foi precisamente este duelo que  ajudou Donald Trump a chegar à “White House”. Por outro lado, o “shutdown” tende a prejudicar os membros do Congresso que o provoca – pense-se no caso de 2013, quando Ted Cruz levou ao encerramento do Governo americano.  

É verdade que o GOP viria a conquistar à Presidência aos democratas em 2016 – contudo, foi o GOP transmutado pela disrupção levada a cabo por Donald Trump. Ou seja, os ilustres republicanos que geraram o “shutdown” foram castigados pelos próprios apoiantes e membros do partido republicano!

Mais uma vez,o Presidente Trump mantém-se fiel à linha política que apresentou aos seus eleitores – e, na verdade, é o único que poderá ganhar (ou, pelo menos, não perder) politicamente com o impasse gerado…Desde que não abandone a sua promessa de construir o muro e reforce a exigência de o fazer o quanto antes (é a estratégia do “double down”, já descrita no “The Art of the Deal” e enaltecida por Steve Bannon durante a campanha).

7.Tudo isto dito e ponderado, há que concluir que o Presidente Trump é – ao contrário do que muitos esperavam – o líder político mais estável e inteligente da actualidade.

Quando todos declaram a sua morte prematura (o que – convenhamos! – acontece desde que tomou posse ou…que anunciou a sua candidatura!), o Presidente Trump surge sempre mais forte. Ainda bem, pois o propósito justifica a luta: “Make America – and the World – Great Again”…and Greater than ever before!”.

8.Ao contrário dos seus pseudo-rivais, Angela Merkel e Macron (a primeira já morreu politicamente; o segundo está em coma profundo…), o Presidente Trump continua estável e cheio de vitalidade política. Quem diria que o tweet do Presidente em que se declarava a “very stable genius” se iria revelar politicamente premonitório?

P.S – Parece que o país político está animado com a perspectiva de umas eleições internas. Para já, muita calma. A ver vamos, se quem está no poder consegue sentir o desconforto e mudar – e se aqueles que proclamam a mudança a querem efectivamente ou se preferirão a comodidade de mudar para manter tudo na mesma…Paciência, prudência e…sapiência!

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