Sociedade

Rede recrutou 50 portuguesas para casamentos falsos com imigrantes

SEF e polícia belga uniram esforços e após anos de investigação puseram fim a rede que facilitava entrada de indianos e paquistaneses na UE

 

 

Um grupo recrutava mulheres portuguesas para se casarem com cidadãos indianos e paquistaneses que não conheciam em troca de um pagamento de cinco mil euros. As suspeitas chegaram das autoridades belgas que começaram a achar estranho em 2016 o crescente número de cidadãos de nacionalidade indiana e paquistanesa a casarem-se com mulheres portuguesas. O desmantelamento da rede, que recrutou pelo menos 50 mulheres, aconteceu numa ação conjunta entre o SEF e a polícia belga, que contaram com a colaboração da Europol e da Eurojust. Foram detidos três suspeitos e uma advogada foi constituída arguida.

“O grupo criminoso estava envolvido na facilitação da imigração ilegal, através da organização de casamentos conveniência, predominantemente entre nacionais portugueses e indostânicos”, confirmou ontem o SEF, adiantando que “as mulheres portuguesas eram recrutadas para casar com homens de origem indostânica, que não conheciam, e, em contrapartida, recebiam cerca de cinco mil euros”. 

Após o casamento, “os casais viajavam para a Bélgica, onde os cidadãos indostânicos tentavam a legalização por via do casamento com cidadã comunitária, o que permitia aos maridos permanecer na União Europeia, obter autorizações de residência e, em seguida, obter lucros ilícitos com benefícios sociais”.

A operação, que ficou com o nome de Amouda, permitiu apreender documentos falsificados e equipamentos informáticos e “foi realizada simultaneamente em Bruxelas (Bélgica), Lisboa e Algarve”. E, segundo o SEF, para facilitar a cooperação direta, elementos belgas estiveram em Portugal, enquanto uma equipa portuguesa viajou para a Bélgica.

“A Europol apoiou a operação conjunta no centro de coordenação criado pela Eurojust. Analistas da Europol foram, também, destacados para a Bélgica e Portugal para verificação cruzada de informações em tempo real e análise forense de telemóveis”, acrescenta o SEF. 

Esta investigação teve início em 2016, após as autoridades belgas terem detetado “um aumento suspeito do número de certidões de casamento emitidas em Portugal, que viriam a revelar-se falsas”. Dada a gravidade das suspeitas foi mais tarde criada uma Equipa de Investigação Conjunta.