Sociedade

PSP pondera apresentar queixa contra autor do vídeo e nega racismo na detenção

"Sabem o que isto é? Racismo", dizem duas turistas num vídeo de uma detenção da PSP, que filmaram domingo no centro de Lisboa

A PSP rejeita as acusações de racismo que lhe foram feitas na sequência das imagens de um vídeo de uma detenção em Lisboa, partilhadas domingo à noite nas redes sociais.

A polícia, através de comunicado, adianta ainda que vai enviar o vídeo, que terá sido filmado por turistas no centro de Lisboa, para o Ministério Público para eventual procedimento "por calúnia".

"A PSP rejeita que a intervenção tenha tido qualquer motivação racial e não dispõe de dados que não corroborem que toda a atuação tenha sido legal e dentro dos princípios da adequação, necessidade e proporcionalidade, bem como das regras do uso da força, salientando que continuará, naquele e noutros locais, a desenvolver a sua atividade de combate ao tráfico de estupefacientes e de garantia da segurança pública", lê-se no comunicado.

A polícia informa ainda, no mesmo texto, que "vai comunicar ao Ministério Público o vídeo em questão, avaliando um eventual procedimento contra o seu(s) autor(es), pelos crimes de publicidade e calúnia".

Segundo o comunicado, uma patrulha da PSP da 1ª Divisão Policial do Comando Metropolitano de Lisboa, "no exercício das suas funções, visualizou [domingo pelas 20 horas, no Largo do Calhariz, em Lisboa] um homem, de 22 anos de idade, desempregado, a abordar vários transeuntes na via pública, indiciando que lhes pretendia vender estupefacientes".

Os agentes, refere o mesmo documento, abordaram-no pouco depois, quando este já estava no Largo do Chiado, "o suspeito da prática de um crime de tráfico de estupefaciente, não foi colaborante, gritando que aquela abordagem era por motivações raciais, pedindo ajuda e que filmassem a situação".

A PSP justifica que houve necessidade de utilizar força para conseguir deter o suspeito que terá continuado "a gritar e a procurar a ajuda de populares para que conseguisse evitar a revista e a detenção".

A polícia refere ainda que após a revista "foram encontrados na posse do suspeito 17 pacotes de liamba e dois pedaços de haxixe, embalados e prontos para venda em pequenas doses, num quadro típico do crime de tráfico de droga”.

No comunicado é também referido que o suspeito, residente em Oeiras, estava "referenciado e já tinha antecedentes criminais pelo crime de tráfico de estupefaciente e crimes contra o património".

O homem será presente ao Ministério Público ainda esta segunda-feira.