Economia

Centeno. Sem recapitalização de 2016 a Caixa iria ser resolvida

Em agosto de 2016 foi acordado entre Bruxelas e Lisboa uma recapitalização da CGD de quase 5 mil milhões de euros, o que obrigou a um processo de reestruturação da CGD.

Se a Caixa Geral de Depósitos (CGD) não tivesse avançado com a operação de recapitalização em 2016 estaria perto da resolução. A garantia foi dada pelo ministro das Finanças ao lembrar que, nessa altura, o banco público estava sem capital e, como tal, “estaria à beira de um processo de resolução bancária, com as consequências que teria com a nova diretiva da resolução bancária” revelou ais deputados.

Em 24 de agosto de 2016 foi acordado entre Bruxelas e Lisboa uma recapitalização da CGD de quase 5 mil milhões de euros, o que obrigou a um processo de reestruturação da CGD, ainda em curso, com redução de milhares de trabalhadores, fecho de dezenas de agências e venda de operações fora de Portugal (casos de Espanha e África do Sul).

Na semana passada, foi conhecida uma versão preliminar da auditoria da EY, datada de dezembro de 2017 e divulgada pela comentadora política Joana Amaral Dias, em que são apontados problemas de concessão de créditos mal fundamentada, atribuição de bónus aos gestores com resultados negativos, interferência do Estado e ineficiências na gestão de risco.

A auditoria avaliou sete operações de concessão de crédito com risco grave ou elevado e, só nestas, estimou perdas de mais de 1.000 milhões de euros, estando à cabeça as operações de financiamento da fábrica da La Seda, em Sines.

Ainda entre as operações com perdas elevadas estão empréstimos a Investifino (de Manuel Fino), para compra de ações da Cimpor dando ações do BCP e da Cimpor como garantia, Fundação Berardo, Auto-Estradas Douro Litoral e Vale do Lobo Resort.

A EY indicou ainda que várias operações de concessão de crédito foram concedidas sem uma análise de risco aprofundada, incluindo “operações aprovadas com parecer de risco desfavorável ou condicionado” pela Direção de Gestão de Risco do banco.

O documento revelou também que administradores da CGD receberam “remuneração variável” e “voto de confiança”, mesmo em anos com resultados negativos.

Dos gestores referidos nesta versão da auditoria cujas decisões originaram perdas, há pelo menos 17 que continuam ligados à banca e mesmo à CGD.