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Vigiar tumores e úlceras no estômago com comprimidos-balão

São feitos de um hidrogel resistente que se expande em dez minutos até 100 vezes o seu tamanho e foram desenvolvidos pelo MIT

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Uma equipa do Massachussets Institute of Tecnology desenvolveu um comprimido insuflável inspirado no peixe balão que pode ser usado para monitorizar sinais fisiológicos como o pH gástrico e os níveis de glicose em doentes com tumores e úlceras. O comprimido aumenta 100 vezes de tamanho em dez minutos, ficando do tamanho de uma bola de pingue-pongue no estômago.

Não são os primeiros comprimidos que aumentam de tamanho quando ingeridos, mas os que existem até agora, crescem até no máximo dez vezes o seu tamanho e demoram dias a atingir essa dimensão. A cápsula de hidrogel do MIT, além de resistente, aguentando melhor as forças compressoras do estômago, infla até um tamanho que a impede de ser expelida pelo piloro (abertura que conduz ao duodeno).

A nova cápsula foi desenvolvida por quatro cientistas do departamento de Engenharia Mecânica do MIT, Xuanhe Zhao, Shaoting Lin, Hyunwoo Yuk e Xinyue Liu, pode “ajudar os pacientes a cumprir os regimentos de tratamento medicamentoso ou a tratar a obesidade através de intervenção bariátrica”, refere o MIT no seu site.

Assim que a cápsula exterior onde é transportada até ao estômago se dissolve, o comprimido de hidrogel começa a trabalhar retendo o fluido gástrico através dos macroporos da sua membrana externa resistente e extensível que irão inflar os polímeros superabsorventes do seu interior que aumentarão de tamanho rapidamente. O tamanho é ajustável através da quantidade de polímeros colocados no interior do comprimido, composto, como se percebe, por dois tipos de hidrogel, a membrana protetora, resistente e expansível; e as partículas absorventes do seu interior.

Para esvaziar o comprimido, de modo a ser libertado do corpo de forma natural através do piloro, o paciente só precisa de ingerir cloreto de cálcio.

Por enquanto, ainda não foram efetuados testes em humanos, apenas em porcos, mas a equipa de cientistas que desenvolveu o comprimido diz que este resiste muito tempo dentro das condições difíceis dos estômagos. Com os sensores de temperatura no interior dos comprimidos a equipa pôde monitorizar a atividade dos porcos (que têm estômagos e intestinos semelhantes aos seres humanos) durante 30 dias.

Os cientistas que divulgaram o trabalho no jornal “Nature Communications” dizem que os comprimidos poderão ser usados para transportar diferentes tipos de sensores e no futuro até microcâmaras que poderão ser usadas para os médicos acompanharem a evolução de tumores ou úlceras, analisando a resposta do organismo e permitindo corrigir a dosagem ou o tipo de tratamento de forma mais eficiente. 

A inspiração para a tecnologia utilizada partiu do mecanismo usado pelo peixe-balão quando se sente em perigo. Perante uma ameaça, o peixe infla rapidamente o corpo, ficando com o aspeto de um balão. Daí que Xuanhe Zhao diga que poderá vir a ser usado em vez do balão gástrico atualmente empregado no tratamento da obesidade mórbida.