Opiniao

A cor da pele dele

Portugal não é, nem nunca foi, um país racista.

A comprová-lo está o modo como se expandiu por esse mundo fora. Ao contrário de outros povos, quase todos os que se envolveram igualmente numa expansão marítima ou terrestre, que onde chegaram não descansaram enquanto não exterminaram ou se limitaram a escravizar as populações indígenas, os portugueses souberam integrar-se no seio dos povos que os acolheram, respeitando a sua História, a sua cultura e os seus costumes e tradições.

Não é por acaso que a mestiçagem foi por nós iniciada, porque os nossos antepassados não tiveram qualquer prurido em constituir família com as populações com quem se iam cruzando e garantir a necessária descendência.

Também todos aqueles que se têm estabelecido entre nós, vindos das mais diferentes partes do mundo, sempre encontraram o indispensável acolhimento, baseado na confiança, no respeito mútuo e na igualdade de tratamento, sem olhar às diferentes tonalidades da pele.

Outra prova de que não somos racistas, é que Costa, não obstante a cor da pele dele, chegou onde chegou!

E mais, chegou onde está à custa de jogos de poder assentes em traições pessoais, facadas nas costas de correligionários e usurpação de funções para as quais não foi eleito.

Costa jamais olhou a meios para atingir os seus fins, vendendo mesmo a alma ao diabo ao aliar-se às menos recomendáveis personagens que se passeiam na nossa senda política, somente para satisfação dos seus caprichos.

E nunca, ao longo deste seu tenebroso e traiçoeiro percurso, lhe foi apontada qualquer desconfiança por ser um mestiço. Nunca a cor da sua pele veio à baila, não tendo esta impedido-o de levar adiante a sua sinuosa carreira nos vários corredores dos poderes decisórios.

Daí ser absolutamente incompreensível o recente teatro que protagonizou no último debate parlamentar a que foi chamado, ao vitimizar-se com a cor da sua pele, recusando-se a responder a uma pergunta óbvia e pertinente.

Só faltou mesmo uma lágrima escolher-lhe pela face, para que a encenação tivesse sido perfeita!

Não satisfeito com este seu patético comportamento, Costa deu provas, uma vez mais, da sua arrogância, falta de educação e incontida agressividade, na forma como se dirigiu às bancadas da oposição, em particular nos diálogos com a líder do CDS, atitude que tem sido recorrente nos últimos tempos.

Se a notória falta de respeito que tem exercido sobre a dirigente centrista fosse direccionada para uma qualquer bloquista, certamente que já teria sido acusado de misoginia e exposto, perante a opinião pública, como um inimigo confesso da carreira profissional das mulheres.

Em matéria de má-criação, Sócrates, quando comparado com este seu discípulo, não passa de um menino de coro!

Mas os disparates protagonizados por Costa não se esgotam na sua extrema boçalidade: ao invocar o papão do racismo entrou no jogo dos movimentos que se escondem sob a capa da protecção às minorias, mas mais não pretendem do que subverter a autoridade do Estado.

Que uma deputada da Nação, filha de um terrorista, que apesar de não ter culpa dos crimes praticados pelo progenitor não se cansa, no entanto, de os louvar, venha apelar ao ódio racial e à desobediência civil, ainda se poderá perceber, considerando a esmerada educação que lhe foi oferecida à nascença.

Mas que o Primeiro-Ministro siga o mesmo caminho e recorra aos mesmíssimos argumentos que têm estado na origem da violação da ordem pública, ultrapassa tudo o que é aceitável e só vem dar razão a todos quantos contestam a sua preparação e fibra moral para o desempenho do cargo de que se apropriou.

Também eu sinto vergonha alheia sempre que Costa abre a boca.

Envergonho-me de que Portugal, berço de tanta gente ilustre que sempre o soube honrar e dignificar, esteja agora refém de um ser menor, sem escrúpulos e sem um pingo de educação, e que teima em colocar as suas ambições pessoais acima do interesse nacional e do bem comum.

Para a História não restam dúvidas de que o legado de Costa não será o de um estadista, mas apenas como mais um dos coveiros da Pátria de quem os portugueses se envergonham de partilhar a nacionalidade.