Desporto

Bruno Lage: "Dérbi é uma final para as duas equipas"

O treinador do Benfica assumiu-se orgulhoso por se encontrar em vias de se estrear numa partida com o maior rival e desvaloriza falta de contratações no mercado de janeiro

O dérbi deste domingo em Alvalade será o primeiro de Bruno Lage enquanto treinador principal do Benfica. O sucessor de Rui Vitória no comando técnico dos encarnados soma cinco vitórias e uma derrota em seis jogos, mas no campeonato o registo é perfeito: quatro triunfos noutros tantos encontros. Agora, Lage enfrenta um teste muito complicado e onde perder pontos é já quase proibitivo, tendo em conta a distância pontual em relação ao FC Porto, líder da prova (cinco pontos).

"Concordo com o treinador do Sporting, que disse que qualquer dérbi é importante. Como ambas as equipas estão em desvantagem é muito importante, não há que escondê-lo. É uma final e é uma final para as duas equipas. E nós vamos com essa determinação: pretendo encarar este jogo como uma final e o adversário vai fazer o mesmo", salientou o treinador encarnado, frisando sentir "orgulho por entrar na história linda do futebol português", aludindo ao dérbi de Lisboa.

Sobre o que espera do jogo, Bruno Lage foi concludente. "O Sporting tem estado num processo diferente, com boas dinâmicas, a construir por trás. Tem dinâmicas interessantes com os três médios, procura largura com os alas e os laterais, situações de finalização. Procurar também a situação de finalização com o cruzamento. Vejo uma equipa competente e perspectivo um jogo interessante. São sistemas diferentes mas vão encontrar-se vários desafios. Também as questões de individualidade, o confronto individual, que vai ser muito interessante acompanhar", ressalvou. Questionado acerca do atual momento do Benfica, o técnico respondeu assim: "Em cada jogo temos de provar que estamos lá. Quando chegamos a algum sítio e batemos à porta, do outro lado perguntam sempre quem é e não quem foste. Nós temos de provar em cada jogo o que fazemos agora. Temos de treinar diariamente para dizermos quem somos no jogo."

Mais uma vez, o tema do mercado de transferências foi abordado. Mais concretamente o facto de terem saído dois avançados (Ferreyra e Castillo, que ainda este sábado ressalvou, na chegada ao América, do México, precisar de jogar onde se sinta mais valorizado) e não ter sido efetuada qualquer contratação. Bruno Lage não se mostrou preocupado. "Nem vocês [jornalistas] contavam com o Castillo e o Ferreyra. Temos de ver o que é a felicidade dos jogadores e do rendimento dos jogadores no clube. E as duas coisas não estavam encontradas. Os jogadores não estavam felizes e queriam encontrar a felicidade. Os primeiros meses, quer de um quer de outro, não estavam a corresponder. Penso que a solução encontrada foi a melhor para ambas as partes", realçou o treinador, referindo de seguida que o Benfica continua a ter soluções suficientes para atuar em 4x4x2: "O dois não tem de significar dois pontas de lança. São dois avançados. E nós temos cinco jogadores que podem entrar nessa posição. E cada um deles oferece dinâmicas diferentes. Seferovic, João Félix, Jonas, Rafa e Jota."

No seguimento do mesmo assunto, Bruno Lage comentou ainda a promoção de quatro jogadores da equipa B (Zlobin, Ferro, Florentino Luís e Jota). "Durante o dia de ontem [1 de fevereiro] disse-se que a equipa não se tinha reforçado. Quanto vale um jogador como Ivan [Zlobin], um jogador como o Ferro, um jogador como o Florentino e um jogador como o Félix [Lage queria dizer Jota]? Para nós, eles são quatro, mas o que eu digo na brincadeira é que passaram a ser seis pequenos-almoços, porque o Jota come por três. Façam a contabilidade: quatro jogadores, cada um deles em cada sector, e vejam o verdadeiro valor", sentenciou o técnico.