Internacional

Principais países europeus reconhecem Guaidó como presidente interino da Venezuela

Onze países, entre os quais Reino Unido, Alemanha, França, Espanha e Portugal querem que o líder da oposição convoque rapidamente eleições

Onze países europeus reconheceram hoje o líder da oposição venezuelana, Juan Guaidó, como presidente interino. Entre os países que reconheceram o autoproclamado presidente interino estão o Reino Unido, França, Alemanha, Espanha e Portugal. A decisão vem no seguimento do ultimato feito ao governo venezuelano por vários países europeus, para que realize novas eleições presidenciais. 

A data limite do ultimato expirou no domingo. Maduro recusou novas presidenciais, mas mostrou-se aberto ao diálogo, disponibilizando-se para um “encontro nacional” com a oposição, como pedem Uruguai, Bolívia e México, o único país do grupo de Lima que recusou reconhecer Guaidó. Maduro escreveu ainda uma carta ao Vaticano, pedindo “ajuda no processo de facilitar e reforçar o diálogo”. 

O papa Francisco já tinha expressado preocupação com a situação na Venezuela, recusando-se a reconhecer Guaidó. O papa receia o “derramamento de sangue”, causado por uma guerra civil que fragmente o país entre “vários senhores da guerra”, transformando-o “numa tapeçaria de vários centros de poder”.  

No entanto, a abertura ao diálogo do presidente venezuelano não convenceu as principais potências europeias (Alemanha, França, Reino Unido) nem os países com maiores comunidades imigrantes na Venezuela (Espanha e Portugal).

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, garante que o objetivo de reconhecer Guaidó como presidente interino é o de conseguir “a liberdade, a prosperidade e a concórdia” na Venezuela. O líder espanhol pediu Guaidó que realize rapidamente eleições presidenciais “livres e democráticas”. 

Sánchez contrariou a posição do antigo líder do seu partido, e ex-primeiro-ministro, José Luis Rodriguez Zapatero, que defende o diálogo entre o governo venezuelano e a oposição, numa tentativa de evitar “um conflito civil cujas consequências podem ser dramáticas”.

Maduro comentou os receios de que a crise venezuelana degenere numa guerra civil, considerando que “tudo depende do nível de loucura e agressividade do império do norte [EUA] e dos seus aliados ocidentais”.

Já o ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, Jeremy Hunt, foi enfático na sua rejeição do governo de Maduro, que qualificou de “cleptocrático” e “ilegítimo”. Hunt já tinha expressado apoio a Guaidó, que considera “a pessoa certa para levar para a frente a Venezuela”.

O ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Jean-Yves Le Drian, afirma que o presidente da Assembleia Nacional “tem a capacidade e a legitimidade” para organizar novas eleições.

A chanceler alemã, Angela Merkel, declarou: “Guaidó é a pessoa com quem estamos a dialogar e esperamos que inicie o processo eleitoral o mais cedo possível”. A chanceler salientou a esperança que processo seja “pacífico”. O ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Heiko Maas, anunciou ainda que “a Alemanha providenciará cinco milhões de euros para ajuda humanitária à Venezuela”, que chegará “quando as condições políticas o permitam”.

O presidente venezuelano respondeu à pressão europeia perante uma multidão de apoiantes. “Aceitamos que sejam feitos ultimatos à Venezuela?”, questionou Maduro. “Não!” gritou a multidão de volta. Maduro acusou as potências europeias de “tomar o lado do segmento mais extremo da direita venezuelana, que - sob orientações de Washington - tenta desesperadamente tomar o poder”.

Editado por António Rodrigues