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Augusto Santos Silva ou Carlos César podem ser o candidato do PS às presidenciais

‘Grande vontade’ do Presidente em recandidatar-se levou Cristas a adiantar-se. Rio preferiu não se ‘colar’ já. E no PS já se fala em alternativas, como Augusto Santos Silva ou Carlos César.

Ainda faltam dois anos para as presidenciais, mas o Presidente da República vai dando sinais de que terá vontade em recandidatar-se, como manda a tradição. O desabafo foi feito no estrangeiro, no Panamá, na semana passada, onde Marcelo Rebelo de Sousa reconheceu «uma grande vontade» em voltar a concorrer ao cargo. Isto se «Deus ...[lhe] der saúde» e  não houver «ninguém em melhores condições para receber o Papa»  em 2022, nas jornadas mundiais da juventude que se realizarão em Lisboa.

A frase de Marcelo Rebelo de Sousa acabou por obrigar os partidos à direita do PS a definirem posições. O líder do PSD, Rui Rio, foi o mais cauteloso: «O normal é recandidatar-se. Todos os Presidentes se recandidatam a um segundo mandato». E é com este argumento que vários militantes do PSD, ouvidos pelo SOL, acreditam que Marcelo deve voltar a concorrer a um novo mandato, mesmo que dê sinais contraditórios ou remeta a decisão para o verão de 2020.

Rio não declarou apoio a Marcelo, mas a  presidente do CDS, Assunção Cristas,  fez questão de o dizer com todas  as letras: «Obviamente, quem apoiou à primeira apoia à segunda».  Porém, a declaração não colhe unanimidade no CDS. Há quem discorde do método, como Raul Almeida, conselheiro nacional centrista, e há quem nem concorde com o estilo de Marcelo Rebelo de Sousa, apesar de considerar que o CDS deve apoiar um católico confesso. No CDS tem sido sempre assim, ao longo dos últimos anos. Paulo Portas, o antecessor de Assunção Cristas, também anunciou que apoiaria Marcelo nas presidenciais de 2016, ao revelar que seria essa a recomendação que a sua direção iria fazer ao conselho nacional.

No PSD, a ideia é a de evitar, para já, uma colagem ao Presidente, mas  entre os sociais-democratas, que integram a equipa de Rio, há quem não esconda não só o apoio, como também a convicção de que Marcelo voltará a concorrer ao cargo máximo do país. «Para mim é desejável e acho que o país, de um modo geral, achará desejável que o presidente Marcelo Rebelo de Sousa se recandidate a um novo mandato. Agora, eu acho que não há tabu nenhum. O presidente Marcelo Rebelo de Sousa já disse que essa é uma matéria que só lá para o verão de 2020 é que decidirá, por isso, está perfeito. Tem todo o tempo pela frente para decidir. É uma decisão pessoal, mas tenho a profundíssima convicção que se candidatará, e acho que é o melhor para o país. Claro que aquilo  eu digo só me vincula a mim», afirmou ao SOL Álvaro Amaro, autarca da Guarda e líder dos Autarcas Sociais-Democratas.

As presidenciais ainda estão longe dos horizontes dos partidos, que enfrentam um ano de europeias e legislativas (e regionais na Madeira), mas a ‘manifestação de vontade’ de Marcelo já fez agitar  o PS. Entre os socialistas existe a convicção de que o primeiro-ministro não quererá dar apoio expresso em 2021 a Marcelo. De facto, numa entrevista à TVI, em outubro passado, António Costa afirmou que «as pessoas podem ter boas relações pessoais, profissionais e não votarem uma na outra. Eu não dou por adquirido que o professor Marcelo Rebelo de Sousa, por se dar bem comigo, vote em mim nas próximas eleições legislativas. Portanto, uma coisa não condiciona a outra e cada decisão deve ser tomada a seu tempo».

E, com efeito, os sentimentos no PS dividem-se entre os elogios a Marcelo, por comparação ao seu antecessor,  e o de preocupação pelo seu estilo interventivo. Aliás, o PS ficou à beira de um ataque de nervos com a ameaça de veto na Lei de Bases da Saúde, só com o apoio da esquerda (ver página 14). «Está a querer condicionar a Assembleia. Nunca vi uma coisa assim», desabafou ao SOL um deputado socialista para ilustrar os temores de um presidente recandidato, que não resiste a intervir junto do Parlamento ou do Governo.

Por isso, e ainda que oficialmente se reafirme que a discussão de perfis ainda não começou no partido, já se apontam alguns nomes, com particular incidência para o do ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, ou o do presidente do PS, Carlos César.

Em declarações ao SOL, César diz que é tudo prematuro: «O PS não iniciou qualquer tipo de reflexão sobre as próximas eleições presidenciais». E nada mais tem a dizer sobre este dossiê, nem mesmo se alguma vez pensou em ser candidato a Belém.

Já Vítor Ramalho, antigo consultor de Mário Soares, ex-deputado e dirigente do PS, deixa alertas ao seu partido sobre a escolha presidencial: «Uma personalidade que seja candidato a Presidente da República tem de surgir antes. Não pode surgir em cima do acontecimento. E, neste momento, não estou a ver como é que o PS vai deixar de apoiar o atual Presidente da República». Ao lado de Sampaio da Nóvoa, adversário de Marcelo, em 2016, Vítor Ramalho não descarta «apoiar» Marcelo por ‘falta de comparência’ do lado socialista: «Não estou a ver que o PS esteja a gerar condições para ter uma alternativa ao professor Marcelo. Admito que o vá apoiar».