Internacional

Novos mísseis iranianos preocupam a União Europeia

Os novos mísseis são capazes de atingir alvos até 1300 quilómetros de distância. A UE tem tentado que o Irão cumpra com o acordo nuclear, apesar deste ter sido abandonado pelo presidente dos EUA, Donald Trump

A União Europeia mostrou preocupação com os testes dos novos mísseis balísticos iranianos, os Hoveiseh -- capazes de atingir alvos até 1300 quilómetros de distância. Os testes fizeram parte da celebração dos 40 anos da Revolução Islâmica no Irão. "A Comissão Europeia está muito preocupada com a atividade do Irão envolvendo mísseis balísticos" afirmou a UE em comunicado, exigindo que o país "cesse essas atividades". A União Europeia considera que o aumento das capacidades balísticas iranianas "aprofunda a desconfiança e contribui para a instabilidade regional".

As críticas uma semana depois do anúncio, por parte da UE, de um mecanismo económico, não baseado no dólar, com o objetivo de contornar as sanções norte-americanas ao Irão. O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Javad Zarif, vê a iniciativa como bem vinda, mas "tardia e inadequada". O propósito do mecanismo é incentivar ao cumprimento de acordo nuclear iraniano, que limita o seu desenvolvimento nuclear a troco de levantamento de sanções contra o país. O acordo foi assinado pelos EUA em 2015, pela administração Obama, e foi abandonado pelo pelo atual presidente norte-americano, Donald Trump.

O Irão respondeu às críticas da União Europeia esta terça-feira, garantindo que "ameaças contra a República Islâmica não são construtivas, eficientes nem ajudam no processo", considerando que tal posição "não está em linha com a segurança regional nem com os interesses europeus".

A União Europeia também exigiu o fim de atividades que aumentem a desconfiança, incluíndo alegadas tentativas de assassinato de figuras da oposição iraniana exiladas. Zarif negou as acusações, que qualificou como "vazias" e "sem provas". Criticou ainda a presença inquestionada de "conhecidos terroristas e grupos criminosos" na Europa, numa referência a organizações como Conselho Nacional de Resistência do Irão, que já teve um braço armado que figurou até 2012 na lista de grupos terroristas da UE.