Internacional

Grupo de contacto quer “eleições livres e democráticas” na Venezuela

Bolívia e México não assinam declaração final da reunião do Uruguai. Presidente uruguaio fala de um país “entre a paz e a guerra”

A Venezuela está entre a paz e a guerra e os países do Grupo de Contacto Internacional, que ontem se reuniram em Montevideu, no Uruguai, estão à procura de arranjar uma solução pacífica para um país mergulhado numa crise política, mas também económica e social.

“Tenhamo-lo muito claro: a maior disjuntiva que hoje tem a Venezuela é entre a paz e a guerra”, afirmou o presidente uruguaio, Tabaré Vázquez, na abertura do encontro convocado por Uruguai, México e União Europeia, em que esteve presente o ministro dos Negócios Estrangeiros português, Augusto Santos Silva.

Vázquez apelou à serenidade  das partes envolvidas e à prudência da comunidade internacional, para que uma situação já de si volátil não acabe por explodir em violência ou numa guerra civil.

“Evitar a violência interna e a intervenção externa” é essencial, disse, por seu lado, a chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, para quem é necessário “abrir caminho para um processo político credível que conduza a eleições antecipadas”.  Para Mogherini, “podemos ter diferentes pontos de vista e leituras sobre a crise, mas partilhamos o mesmo objetivo: contribuir para uma solução política pacífica e democrática”.

Uma ideia partilhada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros português, Augusto Santos Silva em declarações à Lusa: “Justamente para podermos avançar todos em conjunto, devemos falar uns com os outros mesmo que tenhamos opiniões diferentes e pontos de partidas diferentes”. 

“Entre os países latino-americanos presentes nesta reunião há uns que se declararam neutrais, há outros que fazem parte do Grupo de Lima [que reconheceu Juan Guaidó como presidente interino] e há os que apoiam Nicolás Maduro, mas justamente nós devemos falar com todos para que o processo de transição possa ocorrer pacificamente”, acrescentou.

Entre os países, há quem, como Portugal, que defenda a convocação de eleições, há outros, como a Bolívia, que pretendem “um diálogo sem condições”. E foi por isso que Bolívia, junto com o México, foi o único a não assinara a declaração final da primeira reunião do grupo de contacto.

Ao fim de quase quatro horas, o ministro dos Negócios Estrangeiros uruguaio, Rodolfo Nin Novoa, anunciou que na declaração final, os países pedem ao governo de Nicolás Maduro que convoque “eleições livres e democráticas o mais rápido possível”.

O grupo refere no documento que será enviada uma missão técnica à Venezuela e, reconhecendo a crise humanitária no país, pretende coordenar a entrega de ajuda humanitária através do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados. Nin Novoa admitiu que o governo de Maduro terá de ser convencido a aceitar, mas “não há negociação sem diálogo, mesmo que haja eleições, devem ser negociadas”. Sublinhando que “o diálogo não pode ser eterno”, o ministro salientou que “a solução deve ser venezuelana”.