Opiniao

Não somos todos Jamaica

As pessoas que residem naquele bairro ocuparam ilegalmente as casas, quando estas já não permitiam um mínimo de condições da habitabilidade e de dignidade e aguardavam ordem de demolição, ali permanecendo à revelia das leis vigentes

Vamos ver se nos entendemos.

O bairro da Jamaica não passa de um aglomerado de casas degradadas, que só não foram ainda demolidas porque a Câmara Municipal do Seixal, comunista desde a génese desta partidocracia em que sobrevivemos, tem protelado esse dever e obrigação, colocando, com a sua incúria, em perigo de vida todos quantos lá habitam.

As pessoas que residem naquele bairro ocuparam ilegalmente as casas, quando estas já não permitiam um mínimo de condições da habitabilidade e de dignidade e aguardavam ordem de demolição, ali permanecendo à revelia das leis vigentes.

Naturalmente que ao se apropriarem de construções que não lhes pertence, nem tão pouco podem ser apresentadas no mercado, os seus ocupantes furtaram-se ao pagamento das obrigações fiscais, as mesmas de que o cidadão comum não se livra.

Acredito que naquele bairro residam pessoas de bem, cujo único pecado seja o de não procurarem um outro local para viver e no qual assumam as despesas inerentes a quem pretende  ter habitação própria, mas também é verdade que parte considerável dos moradores se dedica à criminalidade, nomeadamente tráfico de droga e furtos diversos.

Vivem desse negócio, sem dúvida rendoso, não contribuindo, como os demais, com as necessárias contribuições para a segurança social e para o desenvolvimento do país.

Além de mais envolvem-se frequentemente em disputas quizilentas, obrigando à intervenção policial, entretendo-se depois a reagir violentamente contra os agentes de autoridade que ali se deslocam no cumprimento do dever.

E foi exactamente o que aconteceu recentemente, quando a Polícia se viu forçada a usar da força necessária para repor a ordem pública, sendo recebida à pedrada e ao soco pelos arruaceiros do costume, cujo comportamento se pretende agora branquear, catapultando-os para a condição de vítimas.

Perante isto, como reagiu o responsável pela pasta da administração interna? Como tem sido apanágio em situações de teor idêntico, lançou, para o público em geral, chamas de sacrifício aos polícias, ameaçando-os de imediato com inquéritos e penas pesadas!

Em vez de se colocar ao lado das forças de segurança, solidarizando-se com estas, como seria sua obrigação, optou antes por manifestar toda a sua simpatia para com os infractores, como se estes fossem uns pobres coitados, vítimas de uma sociedade injusta que não protege quem não quer trabalhar.

Não senhor ministro, nós não somos todos Jamaica!

A esmagadora maioria dos habitantes aqui do burgo trabalha desalmadamente para garantir uma habitação digna, pagando impostos brutais sobre uma casa que lhe pertence por direito próprio, impostos estes que se destinam a ser desbaratados por uma administração pública obsoleta e dispendiosa, permitindo as obscenas mordomias dos seus dirigentes de topo.

A esmagadora maioria dos habitantes aqui do burgo não se encontra no seu bairro às horas de expediente, conseguindo tirar selfies com os políticos que ali se deslocam à caça de votos, porque está a trabalhar, para garantir o seu sustento e o dos seus.

A esmagadora maioria dos habitantes aqui do burgo não foge quando as autoridades são chamadas a intervir perante uma desordem pública, nem tão pouco as recebe com pedras na mão, bem pelo contrário, faz questão de ser simpático, cordial e cooperante para quem tem o dever de os proteger.

O senhor ministro, uma vez mais, errou no alvo: se tivesse dito “somos todos PSP”, protegendo este corpo de polícia da excessiva exposição crítica por parte dos fanáticos do politicamente correcto, teria obtido o respeito e consideração de uma população que está farta de ser obrigada a suportar as arruaças de quem nada produz mas tudo exige.

Ao contrário, tomando parte do lado de quem faz da prevaricação um modo de vida, limitou-se a cavar mais um buraco na sepultura política para onde um dia será recambiado pelas pessoas de bem.

Mas este triste espectáculo se não ficou por aqui: o conhecido comentador televisivo, funções que acumula com as de mais alto magistrado da Nação, quis também dar um ar da sua graça e deixou-se fotografar com as companhias mais indesejadas a que podemos aspirar.

Entre os delinquentes encontrava-se mesmo aquele que agrediu com severidade um dos polícias chamados a repor a legalidade no bairro, forçando-o a intervenção hospitalar.

Bem pode Marcelo pregar que não pede o cadastro a quem com ele tira selfies.

E é exactamente aqui que se encontra o ónus da questão: os portugueses não o elegeram para se andar a passear e a tirar aquelas fotografias com que a miudagem adora entreter-se, mas sim para os representar e actuar como árbitro na cena política.

Mas Marcelo faz precisamente o contrário. Insinua-se como se de uma estrela de cinema se tratasse e age como muleta de um governo que nos vai condenando à fatalidade de um novo resgate financeiro.

Sabe-se que Marcelo ainda se encontrava na barrida de sua Mãe e já sonhava com a presidência!

Bem nos pode agora procurar tomar a todos por parvos, quando insiste não ter decidido ainda uma eventual recandidatura.

É mais que óbvio que essa decisão foi sempre assumida, ainda mesmo antes de entrar em Belém pela primeira vez como inquilino daquele imóvel, apostando agora tudo em obter um resultado superior àquele que o padrinho do regime conseguiu quando reeleito.

É esse o seu novo sonho, daí a preocupação em aparecer por todo o lado e a obsessão em ser popular, procurando dar-se bem com Deus e com o diabo.

Mas se persistir em dar tiros nos pés, conforme se tem especializado ultimamente, pode muito bem ser que o sonho se venha a materializar-se num pesadelo.

Permita-me um conselho, se um segundo mandato for mesmo muito desejado: inspire-se em Bolsonaro.

Faça o mesmo que ele fez quando as sondagens já lhe davam a presidência, ou seja, não faça nada!

Mantenha-se quieto e calado.

Deixe de ser o selfie-mad man em que se transformou e respeite com sapiência o cargo que ocupa de passagem. 

Pode ser que assim se safe!      

Pedro Ochôa