Desporto

Sp. Braga critica Miguel Sousa Tavares. "Trauliteiro, arrogante, desdenhoso e, acima de tudo, néscio"

Clube minhoto emitiu um comunicado

Depois dos comentários de Miguel Sousa Tavares sobre o Sp. Braga na última segunda-feira, na TVI, o clube minhoto emitiu um comunicado esta terça-feira a criticar o comentador e as duas declarações e afirma mesmo que este é "trauliteiro, arrogante, desdenhoso e, acima de tudo, néscio".

“O horário nobre do canal de televisão mais visto em Portugal serviu, ontem [segunda-feira] à noite, para que Miguel Sousa Tavares (MST) voltasse a destilar o ódio ao Sporting Clube de Braga que alimenta há anos. Essa repulsa não constitui, por si só, qualquer incómodo, sendo uma decorrência legítima da liberdade de que gozamos e que permite a qualquer indivíduo o exercício da sua opinião, por mais estapafúrdia que ela seja", começa por referir o clube.

"O problema é que MST não é um comentador de taberna ou um analista de café. MST é jornalista com carteira profissional, que mesmo em espaços de opinião deve obedecer a um código deontológico, emitindo informações sustentadas e validadas e evitando afrontas grosseiras. É que o MST que ontem referiu que o 'Braga não tem adeptos, de facto' é o mesmo que em 2013 se afundava, em entrevista ao "Jornal de Negócios", de ser um analista respeitador das fronteiras do comentário: 'Eu sei os limites entre a ofensa e a crítica'. Obviamente, não sabe! O dislate que proferiu em direto, apesar do contraditório exercido pelo pivô, é apenas a enésima demonstração daquilo que MST é enquanto comentador e formador da opinião pública: trauliteiro, arrogante, desdenhoso e, acima de tudo, néscio", acrescenta o SP Braga, que considera ainda que a intervenção do comentador é de uma “gravidade tremenda” e que não é “desculpável.

"A intervenção de MST é de uma gravidade tremenda e não é desculpável pela manifesta ignorância e malícia do comentador, mas é igualmente crítico que um jornalista no exercício da sua opinião veicule factos infundados, assentes em mentiras mil vezes repetidas e que MST foi incapaz de filtrar, no cumprimento da sua missão de contribuir para uma opinião pública melhor informada", refere ainda o clube minhoto.

Miguel Sousa Tavares havia que o “Braga não tem adeptos” e que o estádio do clube, construído na altura do Euro2004, é um “elefante branco”.

“Braga não tem assistências. Tiveram este fim-de-semana porque fizeram um jogo às 04h00 da tarde e os bilhetes eram quase de borla”, afirmou.

Leia o comunicado na íntegra:

"O horário nobre do canal de televisão mais visto em Portugal serviu, ontem à noite, para que Miguel Sousa Tavares (MST) voltasse a destilar o ódio ao Sporting Clube de Braga que alimenta há anos. Essa repulsa não constitui, por si só, qualquer incómodo, sendo uma decorrência legítima da liberdade de que gozamos e que permite a qualquer indivíduo o exercício da sua opinião, por mais estapafúrdia que ela seja.

O problema é que MST não é um comentador de taberna ou um analista de café. MST é jornalista com carteira profissional, que mesmo em espaços de opinião deve obedecer a um código deontológico, emitindo informações sustentadas e validadas e evitando afrontas grosseiras.

É que o MST que ontem referiu que o 'Braga não tem adeptos, de facto' é o mesmo que em 2013 se afunava, em entrevista ao 'Jornal de Negócios', de ser um analista respeitador das fronteiras do comentário: 'Eu sei os limites entre a ofensa e a crítica'.

Obviamente, não sabe! O dislate que proferiu em direto, apesar do contraditório exercido pelo pivô, é apenas a enésima demonstração daquilo que MST é enquanto comentador e formador da opinião pública: trauliteiro, arrogante, desdenhoso e, acima de tudo, néscio.

A eliminação seletiva de uma franja da população que, sendo-lhe ou não agradável, é manifesta e merece tanto respeito quanto qualquer massa adepta em Portugal, é uma grosseria que não pode ter lugar num espaço de informação de um canal que se quer plural e de referência, qualificando não apenas o autor de tais disparates, mas também a estação que os admite e os considera legítimos.

A intervenção de MST é de uma gravidade tremenda e não é desculpável pela manifesta ignorância e malícia do comentador, mas é igualmente crítico que um jornalista no exercício da sua opinião veicule factos infundados, assentes em mentiras mil vezes repetidas e que MST foi incapaz de filtrar, no cumprimento da sua missão de contribuir para uma opinião pública melhor informada.

Quando diz que 'o Braga joga praticamente de borla, por um preço simbólico, num estádio que é todo sustentado pela Câmara', MST repisa uma das chalaças do meio jornalístico, assassinando o código deontológico: 'para quê estragar uma boa história contando a verdade?'.

E a verdade é que o SC Braga tem custos com o estádio e com a operação do estádio que superam os 750 mil euros por ano e que incluem eletricidade, água, gás, tratamento dos relvados, segurança diária e muitas outras pequenas rubricas que representam uma fatia considerável do orçamento da SAD, sem contabilizar os gastos muito relevantes com a organização dos jogos. A estas despesas correntes têm-se juntado, ao longo dos anos, custos de intervenção avultados em operações de melhoria do estádio, como a ocorrida em 2016 e que significou um investimento de 2,5 milhões de euros.

Sendo despesas que resultam da utilização do recinto, são custos que o SC Braga não reclama, mas que entende, de uma vez por todas, que devem ser do conhecimento público, desmistificando a ideia de uma relação privilegiada que desonera a SAD de gastos no usufruto do Estádio Municipal, que em momento algum continuaria a receber grandes jogos (Seleção Nacional incluída) e grandes competições (como a final four da Taça da Liga) se não fosse a utilização diária que o SC Braga faz do recinto, o cuidado que lhe dispensa decorrendo dessa utilização e as intervenções que tem feito ao longo dos anos para o conservar e melhorar.

O SC Braga e os seus adeptos merecem que haja mais e melhor informação, mas acima de tudo merecem respeito. MST desrespeitou e ofendeu a instituição, desconsiderando-se também enquanto jornalista e prestando um lamentável serviço ao canal que representa e ao público que tem o dever de servir e informar."