Internacional

Defesa do tio de Julen diz que morte da criança se deveu aos trabalhos de resgate

Defesa de David Serrano apresentou um estudo para fundamentar esta tese


A defesa de David Serrano, tio de Julen e dono do terreno onde o menino de três anos morreu após cair num poço, apresentou no Tribunal de Instrução de Málaga um documento que defende que a morte da criança pode ter sido causada pelo equipamento utilizado nas operações de resgate.

A notícia é avançada pelo jornal El Mundo, que teve acesso ao documento, e dá conta de que o advogado de David Serrano, Antonio Flores, defende a tese de que Julen pode ter sido atingido pelas ferramentas utilizadas para perfurar um tampão de areia a 73 metros de profundidade por cima da criança.

O estudo foi escrito pelo arquiteto Jesús María Flores Villa e teve como base as gravações de vídeo e informações sobre os procedimentos. O objetivo era “determinar a cronologia e natureza das atuações levadas a cabo nas primeiras horas, por parte das equipas de salvamento de resgate”.

Após analisar as imagens de uma gravação de 25 minutos da primeira câmara a ser introduzida no poço, o especialista concluiu que do tampão faziam parte sobretudo “material desgastado, terra e pequenas lascas com 1 a 2 centímetros, de aspeto argiloso”. 

O tampão, que se chegou a pensar ter sido consequência dos esforços feitos pela família após a queda da criança, pode ser resultado dos trabalhos da equipa.

Segundo o advogado, a gravação mostra “a queda de pequenas pedras e [fragmentos de] terra, em contacto com parte do dispositivo” inserido pela equipa, o que acaba por reforçar a hipótese de que o tampão tinha sido formado pouco tempo antes.

O mesmo jornal escreve ainda que em outra gravação de vídeo vê-se a máquina utilizada nos trabalhos e a “queda constante de pequenas partículas de material das paredes”.

No entanto, há ainda a hipótese de a própria máquina ter provocado a morte da criança e o documento nega a tese de que Julen caiu de cabeça, uma vez que nas imagens são vistas as mãos e a cabeça da criança.

“Os pais ouviram um choro durante 30 segundos e é impossível que o menino tenha golpeado a cabeça, visto que caiu de pé. Pode ser que os impactos dessa ‘picareta’ tenham provocado o traumatismo e a sua morte”, disse o advogado.

Agora, a defesa de David Serrano pede que as investigações sejam aprofundadas.