Em nome da Verdade

De novo, o Hospital… Novo

Começam a existir razões sólidas para os militares e o país sentirem orgulho no Hospital das Forças Armadas

 


Por motivo de arreliadora crise de saúde, nos últimos três meses ‘visitei’ alguns serviços do Hospital das Forças Armadas.

A minha anterior experiência num hospital militar ocorrera há alguns anos, no Hospital da Estrela, e não foi nada recomendável – apesar de só o ter frequentado em situações de crises renais – nas urgências – ou para efetuar as obrigatórias ‘Juntas Médicas de Promoção’.

Com exceção do designado Pavilhão da Família Militar, em boa hora mandado construir por um ‘visionário’, o Hospital Militar Principal ocupava um edifício que não fora feito para tal fim, pelo que frequentá-lo era uma tristeza.

Um pouco melhor era o Hospital Militar de Belém, pelo menos enquanto foi ‘independente’ e graças à dedicação, esforço e resiliência de alguns que por lá passaram.

Com a reforma ‘Defesa 2020’ surgiu o Novo Hospital das Forças Armadas, com pragmatismo e procurando enfrentar uma realidade já ameaçadora e preocupante.

Com firme decisão política e o empenho, possível, do então chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, o processo avançou com as tradicionais ‘resistências à mudança’, enfrentando também os sempre presentes corporativismos dos ramos (que viram acabar os hospitais da Marinha, do Exército e da Força Aérea).

Com um ambicioso plano de desenvolvimento e implementação, o então Hospital da Força Aérea foi o berço do Hospital das Forças Armadas.

Devido ao empenhamento do ex-vice-chefe de Estado-Maior da Força Aérea (tenente-general Mourato), os primeiros passos foram dados com convicção e firmeza.

Entretanto, face às conhecidas vicissitudes, apareceu Centeno, ‘o cativador’, e as coisas começaram a derrapar, derrapar… até pararem.

Como já referi, nos últimos meses, por razões da ‘velhice’ que vai chegando, tenho frequentado diversos serviços do Hospital das Forças Armadas, designadamente os de Medicina Dentária, Imagiologia, Endocrinologia, Pneumologia, Cirurgia Vascular, Neurologia, Radiologia, Análises Clínicas, Oftalmologia, Nutrição e Dietética, Cardiologia e, recentemente, Urgências. E tenho registado muito agradáveis surpresas.

Por norma, deparo-me com gente acolhedora, competente, disponível, organizada aos níveis adequados e com excelente sentido do cumprimento do dever, num ambiente que de fácil nada tem.

Encontrei médicos militares e civis jovens, competentes e com ambição (alguns formados nas academias militares e já oficiais superiores), que podem vir a constituir um hospital de referência e de excelência – assim os mais velhos o permitam (e ajudem), mormente os respetivos chefes, diretores, diretores clínicos e… as Finanças.

Não tenho qualquer dúvida de que temos perante nós a última oportunidade de ter um Hospital ‘Militar’ digno desse nome e da história do Serviço de Saúde Militar (no seu geral) em Portugal.

Com boas infraestruturas (que é possível realizar), com equipamento (que urge adquirir), com a integração completa dos serviços de saúde, com quadros de pessoal com adequado sistema retributivo envolvendo carreiras dinâmicas e valorizando o mérito profissional, sem esquecer a formação específica, estou profundamente convicto de que temos reunidas as condições de sucesso.

Então o que (ainda) falta?

Em minha opinião, falta uma liderança presente, efetiva e atuante… que ainda não vi nem senti.

Verifico uma ausência muito nítida da direção do hospital e da chefia clínica, e a presença ‘nefasta’ de um ‘peixe’ que tem sido – pela sua ação, visibilidade, prepotência e arrogância – um mau exemplo de serviço na parte administrativa, com especial relevância nos assuntos relativos à área do pessoal e da justiça.

O HFAR não é um quartel… nem pode ser!

Aos diretores e chefes recomendo que saiam mais dos seus gabinetes e interajam com doentes, médicos, enfermeiros, técnicos e auxiliares, principalmente às horas críticas, como as do início e fim das manhãs.

Urge também devolver o ‘peixe’ à ‘tropa operacional’ – onde certamente fará muita falta –, pois o que faz de negativo no Hospital das Forças Armadas provoca revolta.

Tanto quanto consegui apurar, existe um grande ‘divórcio’ entre as direções de saúde dos ramos e o HFAR – o que, a confirmar-se, é incompreensível, inadmissível, insustentável, divisionista e corporativista, pelo que urge pôr cobro a esta situação – a bem de todos.

Sempre defendi a maior interação possível entre o Sistema de Saúde Militar e o Sistema Nacional de Saúde, até porque os militares também pagam impostos. Já quanto à abertura do HFAR aos utentes da ADSE sou mais reservado e cauteloso. Entendo que esta só deve ter lugar quando exista nítida ‘capacidade sobrante’, e em dias e horas de atendimento específicos.

O HFAR ainda experimenta suficientes ‘fatores perturbadores’ de crescimento, pelo que devem deixá-lo ‘crescer’ em paz e tranquilidade. E pagamentos com atraso já temos que cheguem.

O empenhamento, presença e acompanhamento do almirante CEMGFA tem sido da maior importância, mas as chefias imediatamente abaixo precisam de ser mais presentes e atuantes, pois são – efetivamente – decisivas.

Creio, firmemente, ser possível!

Em Nome da Verdade, afirmo que começam a existir razões sólidas para os militares e o país sentirem orgulho no Hospital das Forças Armadas. 

*Major-General Reformado