Cultura

Conan Osíris e a arte de romper cânones

Preferido tanto do público como do júri, Conan Osíris chegará sem sombra a Telavive. Telemóveis é já uma das músicas favoritas da final europeia marcada para maio. 


De acordo com os dados recolhidos pela Eurovision World, Portugal está já no top 10 das casas de apostas, em sétimo lugar de uma lista encabeçada pela Rússia. Mas quem é afinal, e de onde veio, Tiago Miranda, o músico que mais parece um rapaz do futuro a inventar um novo estilo musical?

Um rapaz do futuro

O percurso profissional de Conan Osíris tem feito parangonas - tudo porque trabalhou até há pouco numa sex-shop em Arroios. Também chegou a estudar Artes, mas não terminou o curso. Nunca parou, contudo, de perseguir um lugar na música - o que, dado a fusão de estilos de que bebe a sua música - não chegou sem trabalho árduo.

As composições e as letras são da sua autoria - daí descarta a já repetida comparação a Variações que, no início, o deixava um pouco atrapalhado até porque é um defensor da singularidade dos indivíduos. Conan é um «one man show»: compõe, escreve as letras e produz os seus próprios trabalhos.

De resto, Tiago Miranda já explicou por diversas vezes como montou a sua identidade artística: Conan é um tributo a Hayao Miyazaki, o criador de anime japonesa que admira - e com o qual partilha o dia de nascimento - responsável por Conan, o Rapaz do Futuro. Já Osíris, deus da mitologia egípcia, ligado à vida para lá da morte, simboliza o seu lado mais introspetivo, o «pesar do que fazer na vida», que explicou a Cristina Ferreira, na mesma entrevista em que rematou:  «As pessoas não são só sempre uma coisa, eu sou bastantes coisas ao mesmo tempo, também.»

 

De Silk a Adoro Bolos

O primeiro trabalho foi com Silk, em 2014, seguindo-se, dois anos depois, Musica, Normal. Adoro Bolos, o terceiro disco da carreira e o primeiro em português, foi lançado a 31 de dezembro 2017. O álbum tocou logo as campainhas da crítica - pelo i, foi-lhe apontada a «sinceridade com que desconstrói preconceitos da vida portuguesa, sem a diminuir».

Daí a começar a ser presença nos cartazes foi um tirinho - primeiro, dentro dos circuitos da música alternativa, depois, ao longo passado, noutros mais abrangentes. Tocou em festivais como o Vodafone Paredes de Coura, Bons Sons ou Super Bock em Stock. Em janeiro, esgotou a Casa da Música.

B.I.

É um miúdo do bairro, como o próprio diz - neste caso, dos Olivais. Tiago Miranda nasceu a 5 de janeiro de 1989 - completou 30 anos no início de 2019 - e cresceu nesta zona oriental de Lisboa.

«Quando nasci, fui para Moscavide, [onde] vivia com a minha mãe e o meu pai, mas, ao mesmo tempo, ficava na minha avó materna», contou em entrevista a Rita Ferro Rodrigues. Os pais separam-se quando tinha três anos e o pai, toxicodependente, acabou por morrer uns anos depois, embora o músico só saiba muito mais tarde quais as causas da morte. «A minha vida foi caótica até aos 18 anos, com todas as variáveis possíveis», resumiu.

Mas desde pequeno que teve sempre um lado dominantemente artístico.

A máscara

A imagem disruptiva do músico tem sido amplamente comentada nas redes sociais e tem por trás a assinatura do stylist Rúben de Sá Osório. No Festival da Canção, apresentou-se com roupas assinadas por Luís Carvalho e um acessório que se destacou: a máscara dourada, que se tornou numa espécie de assinatura desta edição.

A peça foi desenhada pelo próprio Conan Osíris e pela sua joalheira e amiga Adriana Ribeiro e chama-se “Osiris Gold Mask”.