Internacional

Israel "não é um Estado de todos os cidadãos", garante primeiro-ministro

Benjamin Netanyahu é acusado de demonizar os árabes israelitas para conseguir apoio nas eleições de 9 de abril

Israel “não é um Estado de todos os seus cidadãos”, garantiu no Instagram o primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu, referindo-se aos 1,8 milhões de cidadãos árabes israelitas, cerca de 21% da população, segundo o instituto independente Myers-JDC-Brookdale. 

Os comentários de Netanyahu foram relativos às críticas da modelo e apresentadora israelita Rotem Sela, que escreveu: “Quando é que alguém neste governo irá dizer ao público que este é um país de todos os seus cidadãos e que todas as pessoas nascem iguais”, acrescentando que “os árabes também são seres humanos. E também os drusos e os gays e as lésbicas e as pessoas de esquerda.”

O primeiro-ministro explicou que “de acordo com a lei da nacionalidade que aprovámos, Israel é o Estado-nação apenas do povo judeu”. A lei em questão foi aprovada o verão passado, removendo o árabe como língua oficial e definindo Israel como “pátria histórica do povo judeu”, a que este tem “direito exclusivo”. O diploma também refere a cidade de Jerusalém, disputada entre o governo israelita e palestiniano como capital de Israel.

Netanyahu é acusado de demonizar a população árabe numa tentativa de reforçar o seu apoio nas eleições legislativas, marcadas para 9 de abril. O líder do partido conservador Likud enfrenta acusações de corrupção, por alegadamente ter recebido subornos de empresários e ter trocado favores por uma cobertura mediática mais favorável. Ainda esta segunda-feira, Netanyahu recorreu de uma decisão judicial que impede que magnatas próximos dele paguem as suas despesas legais.

Além disso, o primeiro-ministro enfrenta uma coligação centrista liderada pelo ex-ministro das Finanças Yair Lapid e pelo antigo chefe do Estado-Maior Benny Gantz. Netanyahu tem utilizado como arma de arremesso o facto de que dificilmente os centristas conseguiriam governar sem apoio dos partidos árabes - uma possibilidade que Gantz rejeitou de imediato, citando o seu duro registo militar contra grupos palestinianos e garantindo que apenas se juntaria a quem fosse “sionista e mentalmente são”, incluindo o Likud.