Sociedade

Basílio Horta deixa aviso a Madonna: “Há coisas que o dinheiro não paga”

Esta é a história de um cavalo, de uma cantora famosa e de um autarca

O presidente da Câmara de Sintra não teve papas na língua ao comentar a polémica com Madonna, que queria pôr um cavalo dentro de um palácio, mas que viu o seu pedido recusado por Basílio Horta.

A cantora não gostou, mas o autarca também não se importou. “Não cabe na cabeça de ninguém deixar entrar um cavalo num palácio do século XVIII”, afirmou Basílio Horta ao Expresso. "A Madonna é uma artista, mas o palácio é de todos e não é para ser estragado", prossegue, garantindo que "há coisas que o dinheiro não paga", acrescentou.

O presidente da Câmara de Sintra fez questão de sublinhar que "em condição nenhuma deixaria entrar um cavalo no palácio, não tem qualquer sentido!".

Basílio Horta confirmou ainda que a produtora e o próprio agente da cantora tentaram exercer pressão junto da autarquia. "Tentaram tudo, até disseram que iam falar com o primeiro-ministro", contou o autarca ao Expresso.

Por outro lado, o presidente da Câmara de Sintra afirmou que pressões deste género "não são habituais". "Mas também as pessoas sabem que, comigo, não resultam”. "Levo muito a sério o princípio da igualdade", justificou.

Basílio Horta recusou mesmo falar com os representantes de Madonna e encarregou os seus assessores de transmitirem a mensagem de que a posição da Câmara estava tomada.

Recorde-se que a história do cavalo começou há cerca de duas semanas, quando a produtora de vídeos nacional Twenty four seven, fez um pedido de autorização à Câmara de Sintra para usar a Quinta Nova da Assunção para as gravações de um videoclip "para o mercado internacional de uma cantora conhecida mundialmente". O pedido referia apenas que o vídeo seria "para o mercado internacional de uma cantora conhecida mundialmente", não referindo diretamente o nome de Madonna.

No pedido, que deu entrada nos serviços da autarquia no dia 12 de março, era solicitada a reserva do espaço entre os dias 15 e 20 deste mês, sendo que as filmagens propriamente ditas só ocorreriam nos dois últimos dias, "no período noturno, entre as 17h e as 7h".

A câmara autorizou a utilização do espaço e a modificação de alguns pormenores da decoração, só uma cena foi chumbada por razões de “segurança”.

Descrita no guião como "cavalo deitado no chão a interagir com a protagonista", a cena em questão implicava a entrada do animal no hall principal de um palácio setecentista. "O soalho de madeira assenta sobre uma caixa de ar e podia ser danificado", terá justificado a autarquia, que no entanto deu o ok para tudo o resto.

A preparação do vídeo começou como estava previsto, mas quando chegou o momento das filmagens, já com a presença de Madonna no set surgiram os problemas, sendo que a cantora levantou objeções ao não cumprimento do guião e recorreu ao seu agente, sedeado em Londres, para tratar do assunto, sendo que este não conseguiu. "Desculpa, minha rainha. Estou a fazer o meu melhor. Telefonei a muita gente e enviei várias mensagens. Infelizmente, o homem que pode decidir não está disponível, mas nalguma altura vai estar", terá respondido o empresário, numa troca de mensagens a que o Correio da Manhã teve acesso.

No entanto, Basílio Horta, se era ele o homem que poderia decidir, nunca esteve disponível para Madonna. “Se fosse um português nem se atrevia a tentar", afirmou o autarca ao Expresso.