Mustafa Said é o grande vencedor dos Prémios de Música Aga Khan

O cantor e intérprete egípcio Mustafa Said foi o grande vencedor na categoria de desempenho da primeira edição dos Prémios para a Música Aga Khan, que se realizaram, no último domingo, em Lisboa.

No total foram premiados dez vencedores, de sete categorias, oriundos de 13 países da Ásia, África, Médio Oriente, Europa e América do Norte, com um total de 500 mil dólares (cerca de 445 mil euros).

Os prémios foram entregues pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, na presença do príncipe Aga Khan e do seu irmão o príncipe Amyn Aga Khan.

“As forças tecnológicas que estão a remodelar o nosso mundo fazem com que os vizinhos que vivem do outro lado do planeta estejam agora tão perto de nós quanto os vizinhos que vivem do outro lado da rua. Num mundo assim, a paz e o progresso exigem que promovamos uma agenda pluralista e que invistamos numa ética Cosmopolita. Estes Prémios para a Música pretendem ser um investimento no sentido dessa promoção", disse o príncipe Aga Khan, na cerimónia que decorreu na Fundação Calouste Gulbenkian, de acordo com um comunicado divulgado pela Rede Aga Khan.

Os Prémios para a Música foram criados pelo príncipe Aga Khan, líder espiritual da comunidade muçulmana ismaelita, com o objetivo de “distinguir a criatividade e o potencial de exceção, e o empreendedorismo nas áreas das atuações musicais, criação, educação, preservação e revitalização em sociedades de todo o mundo nas quais exista uma presença significativa de muçulmanos”.

“Os vencedores irão dividir entre si um prémio total de 500 mil dólares, e irão também colaborar com os Prémios Aga Khan para a Música no sentido de expandir o impacto do seu trabalho e desenvolver as suas carreiras”, explica a mesma nota.

Na categoria de Criação, o prémio foi entregue à compositora e pianista do Azerbaijão Franghiz Ali-Zadeh, "que tem produzido um prolífico repertório de música clássica para concerto que se inspira nas veneráveis tradições musicais e literárias do Azerbaijão".

Na categoria de Educação, o prémio foi entregue ao The Omnibus Ensemble, sedeado em Tashkent, no Uzbequistão. "O Ensemble vem trabalhando para criar uma aproximação artística entre as tradições maqom clássicas locais e as linguagens da música contemporânea", refere o comunicado.

Na categoria de Inclusão Social, o prémio foi para Badiaa Bouhrizi, também conhecida pelo seu nome artístico Neysatu, uma cantautora e compositora da Tunísia que tem usado o seu talento musical para promover a justiça social e os valores do pluralismo e da democracia.

Na categoria de Preservação, Revitalização e Divulgação, o prémio foi entregue a dois finalistas: "Farhod Halimov, um cantor, multi-instrumentista e compositor de Samarkand, Uzbequistão, que vem preservando o repertório tradicional de canções clássicas de Samarkand; e o Museu Gurminj de Instrumentos Musicais, em Dushanbe, Tajiquistão, que vem preservando e revitalizando o património musical dos povos e culturas da Ásia Central, e, em particular, a cultura musical ismaili da região de Pamir, no Tajiquistão".

Na categoria de Contribuições Importantes e Duradouras para a Música, o prémio foi galardoado a três finalistas: "Oumou Sangaré, célebre cantautora do Mali, conhecida pelo seu compromisso com a formação e o desenvolvimento das carreiras de jovens em profissões relacionadas com a música; Ballake Sissoko, um músico de kora e compositor do Mali que desenvolveu a arte da kora de formas criativas e inovadoras, mas ao mesmo tempo firmemente enraizadas na tradição; e Dariush Talai, músico de tar e setar, musicólogo, compositor e educador iraniano que está a ser reconhecido pela sua excecional dedicação à transmissão da tradição de execução clássica do tar através das suas várias atividades enquanto artista, educador e estudioso".

Foi igualmente concedido a Mohammad Reza Shajarian o prémio do Patrono, um galardão especial "em reconhecimento da sua duradoura contribuição para o património musical da humanidade, a sua inigualável mestria musical e o seu reiterado impacto social enquanto intérprete e professor, tanto no Irão como para além das suas fronteiras".

Do júri fizeram parte nomes como: Jean During, Etnomusicólogo e Investigador Sénior Emérito do Centro Nacional de Investigação Científica; David Harrington: Membro fundador e primeiro violinista do Kronos Quartet; Salima Hashmi: Pintora e curadora, ex-diretora do Colégio Nacional das Artes de Lahore; Nouri Iskandar: compositor, musicólogo, ex-diretor do Instituto Árabe de Música de Alepo; e Akram Khan: coreógrafo e diretor artístico da Companhia Akram Khan.

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