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Brexit. Em dia de reunião com Corbyn, May volta a ter de lidar com demissões

Governo e principal partido da oposição querem chegar a um acordo para a saída do Reino Unido da União Europeia.

O governo de Theresa May voltou a enfrentar uma vaga de saídas: durante o encontro entre a primeira-ministra britânica e Jeremy Corbyn, Chris Heaton-Harris, ministro responsável pela saída do Reino Unido da União Europeia, apresentou a demissão. Horas antes, foi a vez de Nigel Adams, ministro com a pasta do País de Gales.

“Como acredito que tenha conhecimento, a preparação [para a saída do Reino Unido da União Europeia] está bastante avançada e apesar de prefereir sair com o acordo por si apresentado, acredito que o nosso país conseguiria ultrapassar as questões imediatas que pudessem surgir com uma saída sem acordo”, lê-se na carta enviada por Heaton-Harris a May, divulgada pelo próprio na sua conta oficial no Twitter.

“Percebo perfeitamente que não queira sair da União Europeia sem um acordo e isso faz com que o meu trabalho no governo seja irrelevante”, explicou o ministro. “Tenho votado sempre no Parlamento para que abandonemos a União Europeia a 29 de Março de 2019. Acredito que devíamos ter honrado o resultado do referendo de 2016 e saído nessa data. De facto, cada vez que tentamos estender o processo, fazemos com que a fé no nosso sistema político e nas pessoas que nele participam diminua. Não posso aceitar mais extensões ao Artigo 50 e isso signfica que não posso continuar neste governo”, acrescentou.

Horas antes deste anúncio, Nigel Adams, ministro conservador responsável pela pasta do País de Gales, anunciou também a sua saída do governo. Adams decidiu bater com a porta depois de Theresa May ter iniciado conversações com o líder trabalhista. Na carta de demissão - que, tal como Heaton-Harris, divulgou no Twitter -, Adams defende que a primeira-ministra “legitimou” Corbyn ao pedir-lhe ajuda para uma saída do Reino Unido com acordo.

“Parece que a sra. ministra e o seu executivo decidiram que um acordo - cozinhado com um marxista que nunca colocou os interesses dos britânicos em primeiro lugar - é melhor do que sair sem acordo. Eu discordo desta posição e por isso decidi pedir a demissão”, explica o responsável.

Estas demissões surgem depois de May ter afirmado que é sua intenção voltar a pedir aos seus homólogos um novo adiamento do Brexit e de ter decidido sentar-se e dialogar com Jeremy Corbyn sobre o que é possível fazer para alcançar um acordo no parlamento. “O que queremos fazer agora é encontrar um caminho a seguir que possa garantir o apoio desta Câmara e concretizar o Brexit para efetivar o resultado do referendo [de 2016] e garantir que as pessoas possam continuam a ter confiança em que os seus políticos fazem o que eles lhes pediram para fazer”, explicou ontem Theresa May.

Discussões construtivas À saída da reunião, Corbyn disse aos jornalistas que a reunião de duas horas com a primeira-ministra correu “muito bem” e que era provável que se voltassem a encontrar-se em breve.

“Tivemos discussões construtivas sobre como ultrapassar este impasse. Acordámos realizar vários trabalhos entre as nossas equipas para explorar um possível acordo”, lê-se na declaração oficial emitida pelo partido Trabalhista após a reunião. O n.º 10 de Downing Street expressou a mesma opinião: “As conversações de hoje foram construtivas, com os dois lados a mostrarem flexibilidade e um compromisso em acabar com a incerteza em torno do Brexit. Acordámos realizar vários trabalhos para garantir que conseguimos o melhor para o povo britânico”.

Já o presidente da Comissão Europeia mostra-se mais pessimista: antes do encontro entre May e Corbyn, Jean-Claude Juncker voltou a frisar que o Reino Unido tem até ao dia 12 de abril para aprovar o acordo: “Esse é o prazo definitivo. E nenhuma extensão curta será possível depois disso”. Juncker afirmou ontem, no Parlamento Europeu, que os últimos desenvolvimentos em Westminster não o surpreendem: “O cenário do no-deal à meia-noite do dia 12 de Abril é agora o mais provável de todos”.

Governo investiga vídeo Entretanto, o Ministério da Defesa anunciou a abertura de uma investigação a um vídeo divulgado na internet, que tem como alvo o líder do Partido Trabalhista. No vídeo, divulgado no Snapchat, soldados britânicos disparam sobre uma fotografia de Jeremy Corbyn. Na legenda lê-se apenas “contente com isto”.

“Temos conhecimento de um vídeo a circular nas redes sociais. Este comportamento é totalmente inaceitável e muito abaixo do alto padrão que o exército espera. Foi iniciada uma investigação”, explicou o porta-voz do Exército, Nick Perry.

Não se sabe ao certo quando o vídeo foi gravado. De acordo com a imprensa britânica, sabe-se apenas que os soldados que aparecem nas imagens pertencem ao terceiro batalhão do regimento de paraquedistas, conhecido como 3 Para.